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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Praia do PA é tomada por bois mortos após naufrágio; moradores protestam



Moradores de Vila do Conde realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (12) em frente ao principal portão de acesso da Companhia Docas do Pará (CDP), em Barcarena, no nordeste do Pará. Eles cobraram providências imediatas para os problemas decorrentes do naufrágio de uma embarcação que transportava cinco mil bois, em Barcarena, no último dia 6.

Três praias de Vila do Conde, o píer onde ocorreu o naufrágio e a praia de Beja, em Abaetetuba, foram interditados e proibidos para qualquer tipo de atividade, já que estão tomados por bois mortos e óleo decorrente do naufrágio. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), pouco mais de 100 bois foram resgatados com vida – a maior parte morreu afogada e muitos animais não conseguiram sobreviver porque teriam ficados presos no porão do navio, o que gerou um alerta para a vigilância sanitária, preocupada com o consumo dessa carne.

A comunidade reclama que vem sofrendo os efeitos dos danos provocados ao meio ambiente, à economia da cidade e à vida dos moradores. Centenas de bois mortos estão sendo levados pelas águas do rio Pará para as margens da praia de Vila do Conde, onde estão ficando encalhados na areia. Máscaras respiratórias estão sendo distribuídas para a população para evitar contaminação.

Os moradores afirmam ainda que a barreira de contenção que isolava a área do naufrágio rompeu-se na noite do domingo (11), causando um forte mau cheiro por conta da decomposição dos animais e do óleo que se espalhou pelas águas do rio Pará.

No distrito de Vila do Conde, com 8 mil moradores, os comerciantes da beira da praia fecharam as portas e os pescadores se recolheram. Moradores afirmam que não há condições de trabalho com as praias interditadas e que as nódoas de óleo mancham as águas e a areia por mais de três quilômetros.

“Nós vivemos da praia. É daqui que sai comida, bebida, água, pão, tudo. Essas empresas vêm pra cá, derramam as coisas e quem paga o pato somos nós. Quem vai botar comida na minha mesa se não posso mais pescar? Quem vai sustentar os filhos da Dona Maria se ela não tem mais freguês na barraca com a praia fechada? Alguém tem que fazer alguma coisa e esse alguém é a CDP e os donos do barco e dos bois”, reclama Adauto Lopes, um dos pescadores entre os mais de 500 que participaram da audiência pública ocorrida quinta-feira (8), no centro comunitário da cidade.


Órgãos competentes querem que os animais sejam retirados o quanto antes e levados para um local adequado. Uma equipe da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) foi enviada na também manhã desta segunda-feira para Barcarena com o objetivo de acompanhar o andamento das ações por parte da empresa. “Forçar que as empresas resolva o problema retire toda essa carcaça que chega as praias enquanto não se resolve ela deve ficar em contêineres”, disse o secretário da Semas, Luiz Fernandes.

A Companhia Docas do Pará (CDP) informou que as determinações judiciais já estão sendo cumpridas, mas que a retirada, transporte e incineração dos bois foi suspensa no final da tarde do domingo porque pessoas da comunidade obstruíram a rodovia que dá acesso às valas, que foram cavadas para que fosse feito o descarte e a queima dos animais em decomposição. O serviço completo de limpeza na área tem previsão de duração de até 6 meses.

A Semas informou que aumentou de R$ 200 mil para R$ 1 milhão a multa diária caso a CDP e todas as empresas envolvidas direta e indiretamente no naufrágio do navio boiadeiro em Vila do Conde, Barcarena, não cumpram as exigências da secretaria para conter o impacto ambiental provocado pelo incidente, ocorrido no último dia 6. No local do naufrágio, o navio submerso permanece atracado e sobre ele há quase 50 bois mortos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, mergulhadores estão na área afetada trabalhando para a contenção do vazamento e tentando evitar que a mancha de óleo se espalhe ainda mais pelo rio Pará.

A prefeitura de Barcarena informou que está dando o apoio aos moradores da cidade desde o incidente.

O navio naufragou na manhã de terça-feira (06) no porto de Vila de Conde, em Barcarena, no nordeste do Pará, quando estava carregado com cerca de cinco mil bois vivos. A carga pertencia à multinacional Minerva, com sede em Barretos (SP).

Três praias de Vila do Conde, o píer onde ocorreu o naufrágio e a praia de Beja, em Abaetetuba, foram interditados e proibidos para qualquer tipo de atividade. De acordo com a Companhia Docas do Pará (CDP), a embarcação transportava cerca de 700 toneladas de combustível. Ainda segundo a CDP, o óleo pode chegar em outras praias da região.

Na manhã de quarta-feira (7), durante uma reunião no Porto de Vila do Conde entre autoridades municipais, estaduais e federais, foi criado um comitê gestor de gerenciamento de crise para o caso. Em Belém, também ocorreu uma reunião com autoridades ambientais, quando foi montado um planejamento que possa diminuir os danos ambientais provocados pelo acidente.
As empresas Minerva Foods, Serveporte e Global Agência Marítima e a Companhia de Docas do Pará foram notificadas a apresentar explicações. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), ainda há 730 mil litros de diesel na embarcação submersa.

A previsão é que o esquema montado para a retirada do navio, dos animais, além da limpeza da área, seja concluída em 40 dias. O custo da operação deve ser de R$150 mil por dia.
Decisão judicial

Na quinta-feira (8), o juiz da comarca de Barcarena, Deomar Alexandre de Pinho Barroso, expediu um mandado de intimação que previa, dentre uma série de determinações, que a Companhia de Docas do Pará (CDP), a Minerva Foods e a Global Agência Marítima iniciassem de imediato a retirada dos animais mortos do rio Pará, devendo ser dada uma destinação adequada de modo a não causar prejuízos ambientais e à saúde das pessoas.

Além disso, a CDP e demais empresas deveriam providenciar a retirada imediata do volume de óleo diesel depositado nos tanque do navio que vem se espalhando pelas águas. Outra exigência é que fossem elaborados e encaminhados relatórios diários das atividades desenvolvidas à autoridade policial competente bem como ao Ministério Público do Estado do Pará.

Fonte: G1 Pará
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