sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Briga de rios

Por: Emanuel Júlio Leite

A manhã do dia 25 de dezembro foi marcada, em Santarém, por cenas curiosas, que fogem um pouco ao padrão.

É comum no finalzinho do verão, ali pelo mês de novembro, o rio Amazonas ‘empurrar’ o rio Tapajós para a esquerda, numa perspectiva de quem olha da cidade. Todo ano é assim.

Só que em 2015, com o acirramento do verão, que deixou a região Oeste do Pará sem chuvas até praticamente o fim do mês de dezembro, uma verdadeira briga entre os dois rios é uma constante na ‘frente’ de Santarém.

Em função do período mais comprido do verão, o que se verifca, com o devido espanto da maioria, é o fato de o Amazonas estar avançando mais aprofundadamente. Ou seja, o Tapajós está sendo ‘levado’ para além daquilo que costumava acontecer em anos anteriores.

Através de registros fotográficos pude ver a vaivém dos rios. O Amazonas sempre ocupando um lugar que não é seu. Tapajós sempre sendo preterido, pois ao fugir dos olhos da população, causa uma impressão das mais sufocantes. Fica a impressão que estamos prescindindo das águas azuis ou esverdeadas do rio famoso, que confere status à cidade de Santarém.

O Amazonas é famoso em todo o mundo por ser o maior rio do mundo, mas por aqui a condição de bonitão é do Tapajós.

O rio Amazonas é o segundo rio mais extenso do mundo, com 6.992,06 quilômetros e mais de mil afluentes. Caracteriza-se por ser o rio de maior fluxo de água por vazão. O Amazonas tem sua origem na nascente do rio Apurimac, na Cordilheira dos Andes, no sul do Peru, e desagua no Oceano Atlântico.

O rio Tapajós tem um carimbo de rio brasileiro, que nasce no estado do Mato Grosso, banhando parte do estado do Pará e desaguando no rio Amazonas, em frente à Santarém.

A foz do Tapajós fica diante dos nossos olhos. Essa fase final seria a razão de tanta briga por espaço. Um breve ‘recuo’ é o suficiente para nos deixar a todos estarrecidos, e até aborrecidos. Afinal, somos obrigados a acompanhar diariamente ‘uma luta tão feroz’, com diz a letra de uma canção regional, que se tornou espécie de mantra no entendimento dos santarenos de origem.

A passagem do rio Amazonas ‘por fora’, numa imagem de quem olha a partir da cidade de Santarém, e a passagem do Tapajós ‘por dentro’, provocam o fenômeno do encontro das águas. Diante de uma população de 292.520 mil habitantes, segundo o IBGE/2015. Um fenômeno raro no mundo (o outro exemplo celebrizado em todo o mundo é o encontro das águas dos rios Solimões e Rio Negro, em Manaus).

Em Santarém, a passagem dos rios que não se misturam, em função de diferença de volume, densidade e temperatura, tornam o fenômeno ainda mais repleto de significados. A cidade vê a qualquer hora o que está acontecendo a partir da água, em função de diferença na tonalidade da água. Fica muito nítida a cor barrenta do Amazonas em contraposição com o azul-esverdeado do Tapajós. Em outros lugares que se têm notícia, o encontro das águas não se verifica em frente ao centro urbano.

Fugindo ao espírito natalino, que implica em reunião e confraternização, os rios Amazonas e Tapajós dão um exemplo às avessas. A briga deles não combinou com a data festiva do dia 25 de dezembro.

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