sexta-feira, 14 de abril de 2017

Moradores realizam soltura de quelônios em comunidade no PA

Animais ganharam liberdade no último dia 12. Moradores da comunidade Água Preta, região do Aritapera, em Santarém, no oeste do Pará, atuam como guardiões do meio ambiente há quase três décadas

Por: Samela Bonfim

Um acordo definido entre os moradores da comunidade Água Preta, em Santarém no oeste do Pará, ainda na década de 90, tem preservado a procriação de quelônios, que correm risco de extinção na Amazônia. A iniciativa, repassada por gerações, tem como objetivo o combate ao furto de ovos do tabuleiro (Área de Preservação Ambiental, com 400 hectares definida em 1990). Comunitários de outras localidades invadem a APA em busca dos ovos dos tracajás, vendidos no comercio ilegal por R$ 100, o cento, e R$ 60, o animal vivo.

A soltura dos mais de mil filhotes de tracajá (Podocnemis unifilis) feita por meio do projeto dos monitores da praia é fruto de um trabalho totalmente voluntário para evitar a exploração na região, que não possui unidade de conservação.

Segundo o presidente da Associação de Moradores da Água Preta, Raimundo Correa, que abriga 60 famílias, às margens do rio Amazonas, em Santarém, a ação é contínua e não pode ser interrompida. Somente com a conscientização e fiscalização na APA será possível garantir os alevinos longe da extinção. “Sempre a gente vai lá, e conversa com quem tenta invadir e furtar os ovos. É um trabalho difícil, e que precisa de dedicação”, destaca o líder comunitário.

Fiscalização
Um dos maiores desafios enfrentados pelos comunitários, de acordo com morador e ex-presidente da associação da comunidade, Marcelo da Rocha, é a falta de apoio pelos órgãos fiscalizadores. “Quando começou, nós tínhamos apoio dos órgãos de proteção ambiental, mas hoje em dia, precisamos fazer o monitoramento dos ninhos por conta própria”, lamenta.

Atualmente não existe nenhuma lei municipal de manejo dos quelônios no município. Para a bióloga e coordenadora do projeto de manejo da Sapopema, Priscila Miorando, a iniciativa da comunidade serve como exemplo de cidadania ambiental. “Esses animais sofrem ameaça de exploração, além de outras causas da ação humana. Aqui na região, nós não temos unidade de conservação, e, na região do Amazonas nem iniciativas apoiadas pelo governo, então são iniciativas comunitárias como essas, que ainda mantém as populações, no sentido delas continuarem sendo viáveis mesmo com a exploração”, destaca.

Cerimônia

A soltura é realizada uma vez por ano, e mobiliza toda a comunidade. Moradores se reúnem no barracão comunitário e fazem uma festa em comemoração à libertação dos animais no rio Amazonas.

Com danças, comida e rodas de conversas, eles celebram o dia da soltura, que é considerado um momento de muita alegria para os novos e veteranos guardiões da comunidade. “Ver os tracajás, um a um, seguindo no rio, é uma sensação de missão realizada”, comenta Adelson Pinto, estudante e morador da comunidade, de 11 anos: “Eu me sinto muito feliz... Eles vão para natureza, e a natureza é deles”, comemora.
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