sexta-feira, 23 de junho de 2017

Moradores recebem capacitação para manejo do Pirarucu, em comunidades ribeirinhas do Pará

Durante as atividades, comunitários de cinco áreas do Baixo Amazonas receberão orientações sobre o manejo sustentável do Pirarucu que sofre pressão pesqueira na região

As primeiras a receberem os técnicos e coordenadores da Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (SAPOPEMA), foram as comunidades Pixuna e Tapará, em Santarém, no Oeste do Pará



POR: SAMELA BONFIM*

Desde o dia 17 até o final do mês de julho, comunidades estão recebendo orientações e participando de conversas sobre a realidade local do manejo do Pirarucu. As primeiras a receberem os técnicos e coordenadores da Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (SAPOPEMA), foram as comunidades Pixuna e Tapará, em Santarém, no Oeste do Pará. No sábado (24), a comunidade de Santa Maria participa do encontro. As últimas serão Alenquer e Curuá, no Baixo Amazonas.

Quem compra ou consome um dos queridinhos da culinária Amazônica, o Pirarucu, não imagina a dificuldade que pescadores que abastecem a região enfrentam para poder fornecer a espécie.

Pensando na continuidade do abastecimento na região, pescadores iniciaram um trabalho de manejo para garantir a procriação da espécie porque durante muitos anos, a pesca com malhadeira na Amazônia, ofereceu grande risco ao Pirarucu.

Surgiram então, acordos de pesca firmados pelos moradores da região com intuito de preservar, pensando no futuro. Em determinadas áreas, os moradores definem se pode ou não haver pesca, e qual será o instrumento utilizado.

Porém, invasores tem oferecido riscos aos pactos firmados. “O acordo de pesca, é o instrumento que regulamenta a utilização dos recursos de pesca na comunidade. As comunidades têm o esforço de fiscalização muito grande em torno disso, empreendem atividade ao longo do ano todo, de tal forma de que ao final a produção possa compensar esse esforço, com renda e melhoria de alimentação na comunidade” – explica o coordenador da Sapopema, Antônio José.

Ele revela ainda que os “defensores da comunidade” vêm enfrentando um sério problema com os furtos do Pirarucu: “Os furtos ocorrem nas comunidades em função da presença de pessoas de outras regiões que acabam querendo enfraquecer e quebrar os acordos que existem dentro dessas áreas”.

Os encontros realizados durante as reuniões mensais dos comunitários são promovidos pela Sapopema para discutir os processos de incursos de cada comunidade, e encontrar soluções para problemas que atingem a população nativa.

Para pescar o Pirarucu, na cheia, é preciso encarar um percurso longo, de aproximadamente duas horas de canoa, e ainda afastar o mato com remos. Na vazante, eles precisam caminhar quilômetros com a canoa nas costas, até chegar ao lago, aonde a pesca de arpões é permitida.

Encontrar soluções para aumentar a produtividade do trabalho e a rentabilidade das famílias em torno dessa atividade são objetivos dos encontros que estão sendo realizados até o fim do mês na região.

Sobre a espécie

A espécie é nativa da Amazônia. A primeira catalogada em toda a Região Norte foi encontrada em Santarém em 1829.

Para manutenção da reprodução, desde 1998, uma portaria foi estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA, através da Lei 9605/98 que proíbe no artigo 34 a pesca da espécie, de dezembro a maio.

Durante este período o consumidor não tem acesso ao Pirarucu, e em casos de descumprimento da lei por parte dos pescadores, o órgão fiscalizador aplica multa, que varia de acordo com a quantidade de peixe.

*É jornalista - assessora do projeto Sapopema
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