quinta-feira, 1 de junho de 2017

Policiais militares envolvidos na ação da fazenda Santa Lúcia prestam depoimento à Corregedoria




Os policiais militares que participaram na operação realizada na Fazenda Santa Lúcia, zona rural de Pau D’Arco, sudeste do Pará, prestam depoimento à Corregedoria da Polícia Militar em Redenção, nesta quinta-feira (1º). A corregedoria abriu inquérito para apurar as circunstâncias das mortes das 10 pessoas que acampavam na fazenda. Os agentes estavam indo cumprir mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Nove homens e uma mulher morreram na ação policial na fazenda Santa Lúcia. A Secretaria de Segurança Pública (Segup) disse que os policiais foram recebidos à bala quando tentavam cumprir 16 mandados de prisão contra suspeitos do assassinato de um vigilante da fazenda, no fim de abril. Parentes de vítimas da chacina contestam a versão dos órgãos de segurança do Estado de que os policiais reagiram a um ataque dos colonos: segundo os trabalhadores rurais, a polícia chegou na cena do crime atirando. Segundo os peritos do Instituto Médico Legal, em três corpos havia perfurações à bala na cabeça e nas costas.

Ação policial
A missão realizada na manhã do dia 24 de maio contou com policiais militares de três batalhões vinculados ao Comando de Policiamento Regional V: um tenente-coronel, dois 2º sargentos, dois 3º sargentos, três cabos e quatro soldados do 7º BPM (Redenção); um 3º sargento, dois cabos e um soldado do 22º BPM (Conceição do Araguaia); um 2º sargento e três soldados do 17º BPM (Xinguara).


A Segup informou que nos depoimentos prestados até o momento, os policiais disseram que agiram em legítima defesa, pois foram recebidos a tiros pelos agricultores. Testemunhas ouvidas nesses mesmos inquéritos afirmam que os policiais chegaram atirando. “Só o resultado das perícias vai nos dar a certeza incontestável do que aconteceu naquela fazenda”, afirma o coronel Marco Antônio Cidom, comandante da Polícia Militar na região do Araguaia.


Ainda segundo a Segup, o exame de balística vai indicar de que armas saíram as balas retiradas dos corpos das vítimas, observando-se as ranhuras dos projéteis. Já o exame cadavérico vai definir de que distância foram dados os tiros e o laudo de recentibilidade vai revelar se houve disparo recente das armas encontradas em poder do grupo de invasores.

Conflito agrário
De acordo com a Comissão da Pastoral da Terra (CPT), só neste ano ocorreram 18 mortes relacionadas ao conflito agrário no Pará. Já em todo o ano de 2016, foram 6. O Ministério Público também abriu um inquérito para apurar a causa das mortes.

Segundo a CPT, com as mortes em Pau D´Arco, a violência no campo em 2017 já pode ser apontada como a maior do período em todo o registro histórico já feito pela entidade ao longo dos últimos 25 anos.

A fazenda Santa Lúcia é alvo de disputa de terras. O local foi invadido três vezes desde 2015. Em abril, o proprietário conseguiu a reintegração de posse, e contratou seguranças para vigiar o local. Segundo o advogado das vítimas, os trabalhadores rurais já haviam informado ao Incra, à Ouvidoria Agrária e ao Tribunal de Justiça do Pará sobre as tensões na região.

"Eram 200 famílias que ocupavam a área, e a gente vinha alertando as autoridades que estava na iminência de acontecer um novo massacre de Eldorado de Carajás", disse o advogado José Vargas Júnior.

O Incra informou que não houve acordo financeiro com o dono da fazenda para desapropriar a área para reforma agrária, e que tomou todas as medidas possíveis para regularizar as famílias e evitar conflitos na região. (G1)
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