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terça-feira, 4 de julho de 2017

Aumento da emissão de isopreno na floresta amazônica é confirmado em pesquisa



Entender a complexidade da floresta amazônica e a influência dela no clima do planeta é o foco de várias pesquisas realizadas em cooperação internacional na região. Em um desses estudos, com resultados publicados na Nature Communications, uma rede de pesquisadores, entre eles, o professor Júlio Tota, do curso de ciências atmosféricas da Ufopa, ficou demonstrado um aumento de emissões de isopreno na floresta, provocado pela alta da temperatura de vegetação e a radiação solar na estação seca.

O isopreno, presente nos compostos orgânicos voláteis, é um composto químico produzido pela vegetação de um modo geral. A taxa de emissão dele varia por planta. No artigo intitulado "Airborne observations reveal elevational gradiente in tropical forest isoprene emissions", os pesquisadores destacam o desafio que é caracterizar esta quimiodiversidade biológica para estimar a emissão de isopreno, que influencia na dinâmica das chuvas em diversos ecossistemas brasileiros, mas também pode provocar o aumento do efeito estufa, pois favorece a formação de ozônio e condução de partículas de aerossol para a atmosfera.

“O fato de que registros da climatologia e cenários de previsões demonstrem um aumento de temperatura para a Amazônia nos leva a esperar um incremento e perspectiva de aumento destas emissões de VOCS. Dessa forma, espera-se uma mudança nos padrões de chuvas produzidas por estes compostos”, destaca o professor da Ufopa.

Coleta nas estações do ano

De acordo com os pesquisadores, ainda não está claro como várias espécies de plantas podem emitir quantidades substanciais de isopreno. Por este motivo, para eles, investigar como estes emissores de isopreno estão distribuídos na bacia amazônica e qual é a magnitude da emissão e como ela varia sazonalmente são algumas das questões investigadas durante sobrevoos nas proximidades da cidade de Manaus.

Para verificar a emissão e a sazonalidade do isopreno e de outros gases poluentes, como o monóxido de carbono (CO) e óxidos de nitrogênio (Nox), foram realizados quatro voos em ambas as estações chuvosa e seca.

Na Floresta Nacional do Tapajós, estudo similar sobre compostos orgânicos voláteis e propriedades de aerossóis é realizado na altura do km 67 da rodovia BR-163, onde está localizada a torre de observação do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), gerenciado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“As medidas dos compostos orgânicos voláteis na Flona Tapajós, assim como medidas de nanopartículas formadoras de núcleos de condensação produtores de chuva, têm sido fundamentais para entender e compreender os mecanismos formadores de chuva da região”, conclui o professor Júlio Tota.
Fonte: Comunicação/Ufopa
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