segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Roubo de peixes na várzea preocupa comunitários que fiscalizam lago de pirarucus


Um pescador foi baleado enquanto fiscalizava o Lago Novo, localizado a 5 quilômetros da comunidade Pixuna do Tapará. Um acordo firmado entre os próprios moradores prevê um sistema de segurança com o rodízio de pescadores para evitar furtos de pirarucus

Estava amanhecendo e o trabalho de fiscalização terminando em um dos lagos com maiores registros de pirarucu em Pixuna. A equipe de plantão ia finalizar as atividades, quando foi surpreendida por uma embarcação desconhecida na área.

“A gente tava vindo da fiscalização, e os ladrões estavam roubando em uma bajara. Era cinco da manhã. [...] Eu não escutei, era tão perto, não ouvi tiro nenhum. Parece que me jogaram uma vara que pegou bem em cima do coração. Na direção dessa costela aqui. Ai eu cai com muito sangue. Fiquei lá parado e ele continuou atirando.” – narra o pescador Antonio Ferreira.

O companheiro de fiscalização se deitou na embarcação de pequeno porte e acionou o acelerador para conseguir se salvar e levar a vítima para atendimento médico na cidade.

“A maioria dessas pessoas que vem de fora, vem armadas. Então a gente pensa duas coisas, quando sai de casa: a gente volta vivo ou morto. Dessa vez a gente saiu pra fiscalizar, mas quase voltou sem vida” disse João Pedro da rocha sobre a situação vivenciada pelos dois em 2015.

Apesar do susto Antonio sobreviveu e continua com a bala alojada no corpo. A retirada do projétil é arriscada e não foi autorizada pelos médicos que acompanharam o caso. Com o raio-X em mãos, prova que o relato não é história de pescador.

Iniciativa de fiscalização
Seis equipes foram divididas entre 80 homens da comunidade, para que o lago não fique desprotegido no período de setembro a abril. Por noite, duas equipes ficam em pontos distintos fazendo o monitoramento. A espécie de alto valor comercial atrai muitas pessoas que ameaçam os fiscais voluntários caso sejam interrompidos durante os furtos.

Ao longo do ano, os pescadores cumprem a escala severamente. Quem falta no dia do plantão, paga uma multa de quarenta reais. O acordo firmado entre eles é uma forma de evitar que o pirarucu que sofre pressão pesqueira, seja capturado.





pirarucu de viveiro

Devido ao risco de extinção da espécie, alguns pescadores resolveram apostar no manejo.

Roberto Mafra tem 28 viveiros com quase quatro mil pirarucus – entre engorda e matrizes. Na área, os peixes são alimentados todos os dias com grande quantidade de ração, importada de outros estados – o que gera um custo alto na produção.

Mafra destaca: “A gente está com algumas experiências, e o que nos move é que você ta na atividade, produzindo alimentos, fazendo o que gosta isso aí é importante”.

O peixe comercializado nas feiras e mercados de Santarém sofre comparações de valor com o produto fornecido do estado de Mato Grosso. Para o professor Ufopa, Charles Hanry: “O que acaba viabilizando essa perda de mercado pela concorrência é que o nosso custo de produção é maior que o custo de outros estados. A maior limitação é com a ração que chega muito cara aqui .

Esse gasto, equivale a quase 60, 70 % do custo de uma produção e isso faz com que o nosso produto seja caro. Ai não tem como competir com o estado do mato grosso que tem suas fabricas próprias.” - explica.

Em média, um produtor local fornece ao mercado o quilo do pirarucu a 7/8 reais. Nas feiras o valor oscila entre 18, 20 e 22.

Plano de desenvolvimento da pesca

Todas as dificuldades enfrentadas pelos pescadores e produtores, geram prejuízos a produção e encarecem o produto ao consumidor final. Pensando nisso, a Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente está finalizando um Plano para que a pesca na região do Baixo Amazonas, de fato desenvolva.

Para o assessor técnico do Plano David MCGrath, “Um dado importante é que a densidade média de pirarucu na região do Baixo Amazonas é 1,5 por quilometro quadrado” – o que evidencia extinção.

MCGrath continua: “Tem lugares, onde levantamentos realizados, não constam nenhum individuo de pirarucu. Em contra partida, há lugares aqui em Santarém que tem manejo comunitários que tem 34/35 animais por quilometro quadrado. Então não há duvida que manejo funciona. O grande problema é falta de ordenamento, de apoio para fiscalização, porque essas comunidades passam grande parte do seu tempo patrulhando os lagos para poder defender seus recursos de pessoas de fora. O objetivo do plano é criar mecanismos de ordenamento da pesca e de dar apoio que viabilize o manejo sustentável na região” - finaliza.

Fonte: Ascom/Sapopema
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