quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Opinião: Então é Natal, e o que você fez?

Eu, mesmo sem querer, ajudei um casal com um pé de capim-santo. Quando chegou o momento, eles souberam retribuir. E eu fui ajudada sem nem saber que tinha ajudado alguém
Por: Thais Rocha*

O fim de ano é um momento um pouco melancólico, em que a gente para pra pensar “então é Natal, e o que você fez?” O momento serve para avaliar. “Eu fiz algo de útil? Ajudei alguém? Pensei em alguém além de mim?”

Minha mãe é católica praticante, participa de um movimento da igreja, é leitora e frequenta a CEB na vizinhança. Durante o mês de dezembro é comum que as CEBs façam as novenas de Natal, nove dias de oração para reflexão e preparação para o nascimento de uma criança muito festeira, Jesus.

O primeiro dia da novena foi em nossa casa. Ajudei a arrumar, preparei a casa para o Natal, fiz as compras. Tudo corria bem, mas uma pergunta realmente me intrigou. A animadora pediu para que compartilhássemos uma boa notícia que recebemos durante o ano.

Eu tive um ano bom. Me formei, recebi várias propostas de emprego na minha área de formação, consegui um estágio referente à minha segunda formação. Respondi que “tava de boa”. A pergunta, porém, não saiu da minha cabeça. Falei de mim, e somente de mim.

No dia seguinte, fui ao estágio pela manhã, voltei, separei umas roupas para doação, fui à aula e voltei de mototáxi. Ao chegar em casa, o condutor da moto me falou que já tinha “roubado” um pé de capim-santo do jardim da minha residência, que passou com a esposa um dia, viu a planta bonita e levou um pé para plantar em casa.

Eu fiquei chateada, pois, para mim, a minha ligação com a minha avó, já falecida, está nas plantas do jardim. Respondi: “Se o senhor der uma olhada, não vai mais ver o capim, acho que alguém olhou feio pra ele que pegou fungos e morreu. Nós ainda adubamos, mas não foi o suficiente”.

Ele, então, serenamente, me disse: “Vou passar com minha mulher aqui na sua casa outro dia pra deixar um pé de capim-santo aqui pra você. É sempre bom ter em casa”.
Nesse momento, então, o “então é Natal, e o que você fez?” começou a fazer sentido para mim. Eu, mesmo sem querer, ajudei um casal com um pé de capim-santo. Quando chegou o momento, eles souberam retribuir. E eu fui ajudada sem nem saber que tinha ajudado alguém.

*A autora é professora de Inglês e estudante do curso de Jornalismo do Iespes
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