sábado, 30 de junho de 2018

No caminho havia um, dois, três... dezenas de bloqueios.

Na estrada, sol e chuva se revezam a cada minuto. O chão escorregadio é um alerta: Se não tiver cuidado redobrado, é mais um bloqueio para a conta

Por: Núbia Pereira
Sexta-feira, 25 de maio. Meio dia! Temperatura batendo na casa dos 50 graus. É essa sensação que tenho quando saio do carro para fotografar o primeiro bloqueio de uma viagem que começa em Altamira, na região Xingu. Caminhoneiros reivindicam, principalmente, a redução no preço do óleo diesel. Além disso, pedem o aumento no valor do frete, melhorias nas condições de trabalho e a extinção do pedágio nas rodovias estaduais.




Duas carretas impedem o ir e vir de dezenas de carros. Minha proposta é seguir pela Transamazônica (BR-230) e pela Santarém-Cuiabá (BR 163). As duas rodovias se cruzam, mais adiante, no município de Rurópolis. O meu destino é Santarém, no oeste do Pará.




Até chegar ao município de Brasil Novo, distante 50 km de Altamira, há asfalto. Da estrada, é possível avistar a simplicidade de um típico lugar do Xingu. Sem prédios, sem grandes obras, sem progresso e com pouca ordem!




No Norte do Brasil, os caminhoneiros ganham reforço de um time que entende, mais que qualquer ser humano, como fazer um bloqueio na estrada: o da boiada. Aliás, na região amazônica eles são “phd” no assunto. E nem adianta olhar com cara feia porque aqui eles só seguem a teoria da vaca “cagando e andando..."




Passado o segundo obstáculo é hora de acelerar...O chão até Medicilândia é batido. Tudo é muito diferente do que haviam me contado e/ou do que eu já tinha visto em fotos, imagens...O olhar de quem passa pela estrada é outro!




O caminho é longo... Fechar os olhos, é perder de vista cenários como este.



Se sonhar não custa nada, a impressão que tenho é que acordei no Alasca. Seria o terceiro “bloqueio”. Impossível passar...despercebida.




E por falar em passar... Eu sempre pensei que a transamazônica fosse larga, com duas vias de mãos duplas. Mas, é bem estreita. Por sorte, os bloqueios dos caminhoneiros deixaram o trânsito “leve”, na sexta.




Decerto, quando se avista de longe, a impressão é que a BR 230 não passa de um ramal.




Se tem um lugar que não existe estações do ano, esse lugar é a Amazônia. Se liga, em mais um bloqueio que tem pela frente. E vem de cima.


Na estrada, sol e chuva se revezam a cada minuto. O chão escorregadio é um alerta: Se não tiver cuidado redobrado, é mais um bloqueio para a conta.

Mas, não é só isso não! A estrada cheia de ladeiras, oferece riscos constantes. Prenuncio de novos bloqueios?


E a vida segue. A previsão de viagem é de quase 9 horas.


Uma cena do passado, no presente. A lembrança vem à tona e começo a viajar na companhia da minha avó, meus irmãos e meus primos em busca desse cipó, que depois de tirada a folhagem servia para pular corda (uma das brincadeiras mais divertidas e saudáveis da criançada da época - anos 80/90). Em caso de rebeldia, a cipoada era certeira! 

Após cinco horas de muitos desvios, por conta de uma velha estrada em má formação, sol, chuva e algumas paradas, cheguei a Uruará. O município, que possui uma população estimada de 44.370 mil habitantes, teve origem num povoado surgido nos anos 70. Daqui, desisti de seguir pela transamazônica para tentar chegar mais rápido ao meu destino.


Os sinais indicavam flores pelo atalho.


Bastaram alguns quilômetros para dar de cara com um novo bloqueio. Era o momento de repensar se valia a pena seguir...




Na esperança de que chegaria do outro lado, arrisquei. Aquela espécie de areia movediça quando engole o carro. Por sorte, havia chegado bem próximo à terra firme. Deu tempo de clamar por socorro.


Benditos caminhoneiros que também resolveram encurtar o caminho. E que ajudaram a seguir o meu.




O sol já estava se pondo e o cansaço já tomava conta de mim. Registrei a última foto, de dentro do carro, numa estrada desconhecida das autoridades, e muito conhecida por motoristas que precisam ir e vir (do oeste ao sul do Pará e vice-versa). Me senti num navio no meio do oceano. A maior parte, do trecho atalhado, é deserto. Quem arrisca entrar conta com a sorte, já que há pouquíssimas casas e uma beeeem distante da outra. Sinal de telefone, nem em pensamento. É um caminho que poderia sim ser “aquele atalho que a gente faz para chegar mais cedo ao outro lado”, mas que por conta da precariedade, é apenas mais uma estrada do Pará, que coloca em risco a vida de muita gente. É mais um sonho que vem se tornando pesadelo, por conta de um abandono sem fim.


Era para ser menos 200 km de Uruará a Hidrelétrica de Curuá-Una. Como disse: Era...uma vez!


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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Decretada prisão de sargento da PM que matou mulher e feriu três pessoas em Santarém

O sargento da Polícia Militar Gildson dos Santos Soares, do Grupamento Tático Operacional (GTO), que matou, na tarde de ontem, a senhora Sônia da Silva Viana, 40 anos, e feriu dois adolescentes e uma jovem, teve a prisão decretada pela Justiça nesta sexta-feira (29). O crime ocorreu na rua Angelim, no bairro Santarenzinho, em Santarém, no oeste do Pará. As vítimas estavam em um carro quando foram surpreendidas pelos disparos.

Após o crime, Gildson se apresentou na 16ª Seccional Urbana de Polícia Civil e confessou a autoria do crime. Ao delegado Dmitri Teles, ele disse que agiu em legítima defesa. O pedido da prisão do policial militar teve assinatura de três juízes criminais de Santarém, Gabriel Veloso Alexandre Rizzi e Romulo Brito.

O pedido de prisão foi feito pelo delegado Dmitri Teles e obteve parecer favorável do Ministério Público, através da promotora Dully Sanae Otakara. Segundo as investigações preliminares, o policial teria praticado o homicídio de forma premeditada, por problemas pessoais com um dos ocupantes do veículo, relacionados com questões fundiárias em uma ocupação da cidade.

O mandado de prisão já foi cumprido pela Corregedoria da Polícia Militar.

Segundo informações apuradas pelo QP, Gildson será transferido para Belém.
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Celpa implanta subestação de energia para beneficiar Belterra e Mojui dos Campos


A subestação Belterra deve entrar em operação ainda este ano. A obra suprirá o aumento de consumo de energia que houve em função do crescimento das duas cidades nos últimos anos.

Localizada às margens da BR-163, a subestação vai beneficiar mais de 19 mil clientes, tanto da área urbana, quanto da área rural, com energia firme e de qualidade, contribuindo para uma redução significativa das interrupções do fornecimento. O investimento da concessionária está na ordem dos R$ 12,7 milhões.

A subestação Belterra já entrará em operação com uma das tecnologias mais avançadas para o segmento, pois possui um dos melhores sistemas automáticos para recomposição em casos de imprevistos. O Sistema de comunicação da subestação também é otimizado e ocorre em alta velocidade por meio de fibra ótica, com monitoramento 24 horas direto do Centro de Operações Integradas da Celpa. Outro ponto importante é a garantia da entrada do sistema de medição operacional da subestação que irá ajudar no controle de demanda e combate às perdas de energia.

Para o executivo da área de Expansão da Celpa, Lúcio Oliveira, a subestação Belterra já representa desenvolvimento para os dois municípios do oeste do Pará, pois com energia firme aumenta a possibilidade da chegada de grandes empresas. “A população nessas localidades aumentou muito de um tempo para cá e com isso cresce a demanda por energia de qualidade. E para que não tenhamos problemas e também possamos incentivar o desenvolvimento tanto de Belterra, quanto de Mojui dos Campos, estamos fazendo esse investimento”, explica o executivo.

Trata-se de uma obra muito importante, uma vez que temos a oportunidade de melhorar os indicadores relacionados a qualidade do nosso principal serviço que é levar energia com mais qualidade para os nossos clientes, avalia Lúcio.

O PAPEL DAS SUBESTAÇÕES – A Celpa é uma distribuidora de energia elétrica. As subestações da Celpa são responsáveis pelo início da distribuição da energia. Funcionam como pontos de entrega de energia para os consumidores, pois antes de chegar às residências, a eletricidade percorre um sistema de transmissão que começa nas usinas e passa por estas subestações. Daí os transformadores farão o rebaixamento da tensão para que a energia se adeque ao consumo dos clientes.

Fonte: Ascom/Celpa
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Celpa registra prejuízo de quase 30 por cento com furto de energia na região Oeste


O furto de energia ganha cada vez mais destaque como um procedimento criminoso, altamente perigoso e que gera enormes prejuízos à sociedade. Por conta desta ação o Estado deixa de arrecadar com impostos, que deveriam ser aplicados em saúde, educação e transporte; a concessionária perde receita e deixa de investir na melhoria da rede elétrica para melhorar a qualidade do fornecimento; os consumidores perdem, pois pagam parte do prejuízo na tarifa, sem falar da redução da qualidade do fornecimento e dos riscos de segurança para quem pratica e para quem circula pelas áreas onde existem os gatos. O crime está previsto em lei (art. 155 do código penal) com pena variando de 1 a 4 anos de reclusão.

Levantamento feito pela Celpa apontou que no ano passado foram realizadas mais de mais de 5 mil regularizações de instalações elétricas, que estavam com desvio de energia, em Santarém. Até abril deste ano, as regularizações, em situação de desvio, ultrapassaram 3 mil instalações, somente no município.

Conforme explica o executivo da área de Recuperação de Energia da Celpa, Sidney Simões, é necessário que a população seja consciente sobre os perigos e prejuízos da prática. “É importante que todos saibam que quem furta energia está fomentando a sonegação de impostos; contribuindo para que ocorram acidentes envolvendo a rede elétrica e ainda são responsáveis por oscilações nos níveis de tensão e faltas de energia”, alerta o executivo.

De acordo com a Resolução 414/2010, a concessionária deve cobrar o consumo retroativo não registrado durante o período de duração da irregularidade, limitado a 36 meses para os casos de fraude e 3 meses para os casos de defeito na medição.

Para o gerente da área de Recuperação de Energia da Celpa, Ricardo Maciel, as ações da Celpa são rigorosas dentro do que estabelece o órgão regulador. “Entendemos que estamos no caminho certo, à medida que em 5 anos reduzimos as perdas sobre o mercado de baixa tensão de 65% para 35%, que consideramos ainda bastante elevadas. Mas, se considerarmos a redução conseguida, foi um grande avanço”, ressalta o gerente.

Um alto investimento e diversas ações em todo o Estado estão sendo realizados para o combate às perdas não técnicas. Em 2017 foram investidos mais de R$ 220 milhões e realizadas mais de 600 mil ações no combate às perdas. Operações policiais, ações específicas em clientes comerciais e industriais são algumas das ações realizadas na regional Oeste, no combate a esse tipo de fraude.

Ricardo adianta que, parte da tarifa de energia paga é utilizada para cobrir os prejuízos causados pelo furto de energia. O executivo ratifica que, se a perda fosse erradicada, a tarifa reduziria algo em torno de 8 a 10%. “Toda a sociedade paga por esse ato criminoso realizado por alguns que, além dos prejuízos financeiros, causa acidentes com mortes e prejudica a qualidade do fornecimento de energia elétrica”, lamenta.

PRÁTICA CRIMINOSA – Com base em um incisivo plano de combate às perdas energéticas, que vem sendo desenvolvido desde 2013, a Celpa mobilizou equipes exclusivas para mapear e eliminar ações de furto de energia em todo o Estado. O trabalho é feito em parceria com a Polícia Civil e realizado, também, de acordo com denúncias que a população pode fazer nos canais de atendimento da concessionária, como o site (www.celpa.com.br), Central de Atendimento (0800 091 0196) e aplicativo da empresa.

Fonte: Divulgação/Celpa
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terça-feira, 26 de junho de 2018

Proximidade de centros urbanos afeta comunidades de peixes de rios amazônicos


Recente pesquisa comprovou que características ecológicas das comunidades de peixes são afetadas pela proximidade e pelo tamanho populacional de cidades amazônicas. O estudo teve amostras de 48 lagos de cinco trechos de grandes rios da Amazônia brasileira: rio Tocantins, rio Tapajós, rio Amazonas, rio Negro e rio Solimões. O resultado da pesquisa foi divulgado em artigo científico publicado em revista internacional.

O estudo foi conduzido por pesquisadores de cinco universidades brasileiras e uma norte-americana. As universidades brasileiras que participaram do estudo são, em sua grande maioria, públicas, sendo duas do estado do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Pará (UFPA); duas do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); e uma de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A universidade estrangeira participante foi a Texas A&M University, instituição pública sediada na cidade de College Station, no estado do Texas, nos Estados Unidos.

Pela Ufopa, participou da pesquisa o professor Gustavo Hallwass, do Campus de Oriximiná, que coordena o Laboratório de Ecologia Humana, Peixes, Pesca e Conservação (LEHPPEC). Ele foi um dos idealizadores do trabalho, junto com Friedrich W. Keppeler, professor da universidade norte-americana, e com o coordenador da pesquisa, o professor Renato A. M. Silvano, da UFRGS. A pesquisa compilou dados de projetos de pesquisa realizados entre os anos 2000 e 2013 e teve o objetivo de verificar os efeitos da pressão pesqueira, oriunda da demanda de peixes dos grandes centros populacionais da região amazônica, em diversas variáveis ecológicas das comunidades de peixes da região.

Gustavo Hallwass, que trabalha há mais de 10 anos com a pesca na região amazônica, afirmou que “para quem conhece a região amazônica e trabalha com peixes e pesca, é clara a pressão sobre estoques pesqueiros, principalmente próximo a grandes centros urbanos”. Assim, a pesquisa investigou e descobriu a influência da proximidade e do tamanho populacional das cidades amazônicas sobre diversas características ecológicas analisadas nas comunidades de peixes.

Principais resultados da pesquisa


Os autores da pesquisa demonstraram que, quanto mais distante das cidades, maiores e mais pesados são os peixes, indicando forte pressão pesqueira e diminuição dos estoques próximos aos centros urbanos. Outro resultado importante relacionou a distância entre o lago e o canal principal do rio à captura por unidade de esforço (CPUE), isto é, quanto mais longe do canal do rio, maior é a CPUE das capturas, indicando a acessibilidade como um fator que influencia na pressão pesqueira e na redução dos estoques.

No rio Tapajós foram pesquisados 11 lagos, localizados em comunidades da Floresta Nacional do Tapajós, Reserva Extrativista, Alter do Chão e Ponta de Pedras, além do lago do Juá, próximo ao aeroporto de Santarém. No rio Amazonas, foram quatro lagos: Água Preta, Costa do Aritapera, Ilha Grande e Mamauru. Na região do Baixo Amazonas paraense, a pesquisa envolveu os municípios de Santarém, Belterra, Óbidos e Monte Alegre.

Outros municípios envolvidos foram Baião, no rio Tocantins, com pesquisa em 12 lagos, Barcelos e Uarini, no estado do Amazonas, com 7 e 14 lagos, respectivamente.

Necessidade de áreas protegidas
No artigo, os autores argumentam que os peixes fornecem diversos serviços ecossistêmicos, desde dispersão de sementes e ciclagem de nutrientes até provisão de alimento e renda para a população ribeirinha que depende desse recurso natural. Portanto, tornam-se fundamentais medidas de manejo e conservação dos recursos pesqueiros, principalmente próximo a grandes centros urbanos, com o objetivo de garantir a segurança alimentar e econômica de populações humanas, bem como manter as populações de peixes e todo o ecossistema aquático e terrestre adjacente.

Assim, os autores sugerem a possibilidade de estabelecimento de áreas protegidas próximo aos grandes centros; o apoio a programas de comanejo pesqueiro, onde as regras de gestão dos recursos são oriundas dos próprios pescadores; e/ou uma combinação de medidas tradicionais de gestão pesqueira, visando garantir o respeito às regras e manter as necessidades financeiras dos pescadores. Além disso, os autores argumentam que apenas com o apoio e entendimento dos pescadores e o respeito à atividade do pescador, aliados ao monitoramento e fiscalização, é possível garantir a manutenção e conservação dos estoques pesqueiros e os serviços ecossistêmicos associados.

“As áreas protegidas, e as outras formas de gestão sugeridas, como o comanejo e combinação de medidas tradicionais de manejo, são propostas que visam reduzir a pressão pesqueira próximo aos centros urbanos. Sem gestão nenhuma, o que pode ocorrer é a sobre-explotação dos recursos pesqueiros, pois, de acordo com os resultados obtidos, os peixes capturados próximo às cidades são menores, assim a atividade pesqueira pode passar a capturar peixes abaixo do tamanho reprodutivo, levando ao esgotamento dos estoques”, disse professor Gustavo Hallwass.

Considerando essa realidade, os pescadores teriam que ir cada vez mais longe para capturar peixes de tamanhos maiores para manter a produção, o que acarretaria o ônus de aumento de custos de produção, incluindo todos os impactos ambientais associados. “Dessa maneira, a sugestão de áreas protegidas está relacionada à redução do esforço de pesca em determinadas áreas, garantindo a reprodução dos peixes e a manutenção dos estoques pesqueiros. Áreas protegidas podem ser áreas fontes de peixes, mantendo os tamanhos populacionais locais. Propostas de áreas protegidas com o intuito de manter os estoques são amplamente difundidas no ambiente costeiro e marinho”, acrescentou.

O artigo


O artigo científico foi publicado na revista Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, que publica estudos internacionais relacionados à conservação de ecossistemas aquáticos marinhos e de água doce. A revista possui um fator de impacto de 3,13 e é qualificada no estrato A2 da área de Biodiversidade da Capes. O trabalho pode ser encontrado no seguinte link: Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems

Sobre Gustavo Hallwass

É professor do Campus da Ufopa em Oriximiná, coordenador do Laboratório de Ecologia Humana, Peixes, Pesca e Conservação (LEHPPEC). Atua em linhas de pesquisa voltadas para o uso e conhecimento tradicional sobre os recursos naturais por populações humanas, ecologia de peixes e dinâmica da atividade pesqueira. Busca integrar diferentes métodos científicos e áreas de conhecimento no manejo e conservação de recursos naturais. O professor Gustavo Hallwass e o LEHPPEC também integram o grupo de pesquisa “Biodiversidade, Ecologia e Conservação de Organismos Neotropicais” (Becon), junto com outros cinco pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, como Ecologia, Conservação, Botânica e Zoologia, envolvidos em pesquisas sobre organismos neotropicais, sobretudo os amazônicos.

Fonte: Divulgação/Ufopa
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domingo, 24 de junho de 2018

Mais de 44 mil candidatos fazem prova do concurso público da Seduc


A prova do concurso público da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) ocorreu dentro da normalidade, na manhã deste domingo, 24. Ao todo, 44.552 candidatos compareceram aos locais de prova. Do total de 51.419 inscritos no certame, foram registrados 6.867 faltosos, o que representa 13,35% do total de candidatos. O concurso oferta 2.112 vagas para nível superior.

Os candidatos fizeram as provas nos municípios de Abaetetuba, Altamira, Bragança, Breves, Belém, Cametá, Capanema, Capitão Poço, Castanhal, Conceição do Araguaia, Itaituba, Mãe do Rio, Marabá, Maracanã, Monte Alegre, Óbidos, Santa Izabel, Santarém, Soure e Tucuruí. A empresa organizadora do concurso é a Consulplan.

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Administração (Sead), vem trabalhando para realizar 22 concursos públicos ainda neste ano. São 5.765 vagas ofertadas, em cargos da administração direta e indireta. “Esse é mais um concurso público realizado com sucesso. Estamos trabalhando em mais 22 concursos, e esses novos profissionais já vão estar aptos a ingressar nos quadros da administração a partir de janeiro de 2019”, informa a secretária de Estado de Administração, Alice Viana. De acordo com a Sead o certame que oferece o maior número de vagas é o da Seduc.

Susiane Santos prestou seu primeiro concurso público para Bacharelado em Letras. “A prova foi excelente para quem estudou. O tema da redação que tratou sobre inclusão aluno – escola foi bem interessante. Estou terminando a graduação e espero entrar logo no mercado de trabalho”, disse.

Vagas - As áreas de nível superior contempladas pelo concurso são Artes (136 vagas), Biologia (24 vagas), Educação Física (23 vagas), Filosofia (103), Física (39), Geografia (101), História (98), Inglês (193), Matemática (731), Língua Portuguesa (540), Química (35) e Sociologia (89). As áreas mais concorridas são Educação Física (518 candidatos por vaga no pólo Belém) e Biologia (354 candidatos por vaga no município de Castanhal).

A remuneração é constituída de vencimento e gratificação de escolaridade que varia entre R$ 1.787,00 para o cargo de Professor, Classe I, Nível A, 20 horas; R$ 2.690,00 para o cargo de Professor, Classe I, Nível A, 30 horas; e R$ 3.574,00 para o cargo de Professor, Classe I, Nível A, 40 horas, remuneração ainda a ser acrescida de 10% de Gratificação de Magistério, além de Auxílio Alimentação no valor de R$ 525,50.

Interior do Estado - No município de Abaetetuba, 3.015 candidatos fizeram a prova do concurso da Seduc. No Colégio São Francisco de Assis, que recebeu o maior número de inscritos, um grupo de professores de Matemática recém-formado participou do certame. Riviane Lobato, Laura Silva, Francivaldo Pinheiro e Raniele Pinheiro estudaram juntos e se formaram em 2017. "É o nosso primeiro concurso, mas temos a vantagem de estar com tudo o que aprendemos em sala de aula bem vivo na memória", disse Riviane.

O professor de Língua Portuguesa, Benedito Souza, chegou às 8h01 e encontrou os portões fechados da Escola Cristo Redentor. Professor concursado da rede municipal de Tailândia, ele vislumbrou no concurso da rede estadual a oportunidade de ter o segundo vínculo público, permitido aos docentes. "Infelizmente não deu tempo. Acordei 7h30 e como moro aqui perto achei que daria tempo, pois vim de moto. Não deu, agora é esperar o outro concurso", relatou.

A prova terminou às 12h25, mas alguns candidatos encerraram a prova bem antes. A professora de Inglês Daniele Machado veio de Barcarena e às 10h50 foi a primeira da sua sala a entregar a prova. Professoa na rede particular, a candidata busca a estabilidade do serviço público."A minha avaliação é muito positiva, as questões estavam dentro do conteúdo, principalmente a parte específica", avaliou.

Já em Marabá, na Faculdade Metropolitana, o local com maior número de inscritos, a professora de Biologia Vera Lima Gomes se confundiu com o horário e chegou dez minutos após o fechamento dos portões. “Eu não sabia que os portões fechavam às 8h, achava que era oito e meia, eu não me informei, agora não adianta chorar pelo leite derramado, infelizmente não deu”, lamentou.

Nas salas, professores concentrados; do lado de fora dos locais de prova, parentes na torcida. O lavrador Valdemilson Ribeiro trouxe a esposa Rosanélia Corrreia, de São Geraldo do Araguaia. “Estou aqui mandando energia positiva, tenho certeza que ela vai conseguir passar. Acompanhei ela estudando noite e dia para o concurso”, disse.

No município, 5.423 candidatos estavam inscritos. A organização do concurso contabilizou 992 faltas. Para a efetiva realização do certame em Marabá, foram necessárias 650 pessoas entre fiscais e apoio para os sete locais de prova que foram disponibilizados.

Nos municípios de Braganca e Capanema, no nordeste do Estado, as provas foram realizadas com tranquilidade.

De acordo com a coordenadora do município de Braganca, Lena Amorim, a tranquilidade no decorrer da manhã se deu devido a uma logística montada desde às quatro da manhã e com um coordenador em cada espaço. “Tudo ocorreu sem nenhuma eventualidade que colocasse em risco o andamento da prova”, comentou.

A geógrafa Sirlene Barbosa, 29 anos, era uma das candidatas mais nervosas na entrada do Centro Educacional João Paulo II, no centro de Bragança. Ela já trabalha no Estado dando aula com vínculo de contrato temporário. “Amo a sala de aula, mas quero a estabilidade”, afirmou.

Já em Capanema, a coordenadora do concurso, Danielle Batista Telles, explicou que os portões dos postos foram abertos às 07 horas, com fechamento marcado para às 08 horas. “Alguns confundiram e chegaram após o início e não puderam fazer a prova”, explicou.

A bióloga Alexandra de Araújo Pereira, 38 anos, entregou a prova às 10 horas e foi a primeira candidata a sair no Colégio São Pio X, centro de Capanema. Ela já trabalha há 18 anos como professora. Atualmente é temporária no município de Salinópolis e está concorrendo uma vaga para Marabá como professora de biologia. “As questões estavam extensas, com enunciados enormes mas muito bem contextualizados”, comentou a professora.

Baixo Amazonas - No polo de Santarém, o concurso da Seduc teve 2.720 inscritos. Destes, 456 candidatos não compareceram nos locais de provas, que foram realizadas nos três Campus da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e na Escola Estadual Álvaro Adolfo da Silveira.

Candidatos avaliaram o conteúdo cobrado no exame. Na opinião de Tais Pâmela Aguiar, formada em Letras - com habilitação em Língua Portuguesa, o nível da prova estava razoável. "Da parte de constituição achei bastante razoável e gostei, também, do tema da redação que foi o que mais me agradou", avaliou a candidata.

Fredson Brelaz, que concorreu a uma vaga para professor de Língua Inglesa para o município de Óbidos, ressaltou que as questões foram bem elaboradas. "O que estudei realmente caiu na prova. Hoje em dia os concursos públicos estão mais concorridos, por isso não adianta fazer essa prova se você não tem tempo de estudo. Espero ter alcançado bons resultados", afirma.

De acordo com a coordenação do polo de Santarém, a aplicação do certame transcorreu dentro da normalidade.

Fonte: Ag. Pará
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Embriaguez ao volante continua matando



Nesta semana, a Lei Federal nº 11.705, mais conhecida como Lei Seca, completou 10 anos. Em uma década, mesmo com mais rigor na fiscalização de motoristas que dirigem embriagados, o problema continua sendo uma das principais causas de morte no trânsito no País, de acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (Abramet).

Para quem sobrevive à experiência, na maioria das vezes a recuperação não é fácil. É o que tem vivido o carpinteiro Francisco de Sousa da Silva, 35 anos, internado há mais de uma semana no Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. “Só lembro de ter parado para beber com uns amigos e acordar, dois dias depois, no hospital. Agora que vi que poderia ter morrido, entendo que álcool não combina com direção. Hoje estou internado, e minha esposa teve que parar de trabalhar para cuidar de mim e dos nossos filhos. Tivemos que ajustar tudo em casa em função desse acidente. Então, decidi: bebida, agora, só água!”, afirmou o paciente.

Ao lado de Francisco, Geraldo Pinheiro, 60 anos, também se recupera de um acidente de trânsito. Embora a causa do trauma não tenha sido a ingestão de bebida alcoólica, ele contou que há 15 anos viveu experiência semelhante à do colega de enfermaria. “Levei três pontos na testa e um mês para me recuperar. Depois, diminui a bebida, e quando sei que vou dirigir não coloco nenhuma gota na boca. Aprendi a lição”, garantiu Geraldo Pinheiro.

Atendimentos - Referência em atendimento de trauma de média e alta complexidade, o Hospital Regional em Marabá recebe a maioria das vítimas em estado grave de acidentes ocorridos no sudeste paraense. Nos cinco primeiros meses de 2018, dos 2.438 pacientes que deram entrada na unidade, 19% se envolveram em acidentes de trânsito.

Somando aos atendimentos realizados por outras três unidades públicas do Pará, gerenciadas pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob um contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), já passam de 2,2 mil vítimas de acidentes atendidas somente de janeiro a maio deste ano.

Desse total, 1.596 foram admitidos no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (Região Metropolitana de Belém); 472 pelo Hospital Regional do Sudeste; 148 deram entrada no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, e 81 receberam atendimento no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém.

Prevenção - Como 80% dos acidentes podem ser evitados, segundo especialistas da área, desde 2016 a Pró-Saúde realiza o "Programa Direção Viva: Você Consciente, Trânsito mais Seguro!” nas unidades públicas do Pará, com o apoio da Sespa, do Departamento de Trânsito do Estado (Detran), Polícia Rodoviária Federal, universidades e escolas técnicas, dentre outras instituições.

A iniciativa é um projeto contínuo de promoção de ações de educação em saúde, voltadas à conscientização sobre as sequelas oriundas de traumas por acidentes de trânsito. As orientações são repassadas por meio de rodas de conversa, exposição, memorial, palestras e blitzes educativas.

De acordo com o diretor-geral do HRSP, Valdemir Girato, o esforço conjunto das instituições para reduzir o número de acidentes ajuda a melhorar a qualidade de vida na região. “Sempre contamos com o apoio de outras instituições em nossas ações. Sem dúvida, isso tem contribuído para o fortalecimento das estratégias de enfrentamento à insegurança no trânsito”, disse o gestor.

Em Marabá, a próxima edição do “Direção Viva” ocorrerá nos próximos dias 25 e 26 (segunda e terça-feira), durante o 2º Fórum de Municipalização de Trânsito, no Carajás Centro de Convenções. O evento será promovido pelo Detran e Ministério Público do Estado, com o objetivo de discutir ações de educação para o trânsito, fiscalização e engenharia.

Fonte: Ag. Pará
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Mulheres são maioria no eleitorado e 46% ainda não escolheram um candidato


O eleitorado feminino terá um peso decisivo na definição do próximo presidente da República. No pleito de 7 de outubro, 52% do eleitorado é composto de mulheres — mais de 77 milhões de votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O que mais chama atenção de especialistas é que metade delas, cerca de 38 milhões, são de chefes de família. Os observadores do jogo político alertam que os candidatos que pretendem chegar ao segundo turno na disputa presidencial precisam conquistar o interesse delas. A dificuldade é que as mulheres não formam um bloco de pautas uniforme. A depender do perfil da estrutura socioeconômica e da idade, as necessidades e prioridades mudam.

As pesquisas eleitorais mostram um cenário incerto: 46% das mulheres ainda não sabem em quem votar. O índice é menor para os homens: 25%. A professora de história Idalina Bonfim, 56 anos, não titubeia: garante que vai votar, mas ainda não definiu candidato, mas tem apreço por lideranças da esquerda. “O meu candidato, como mulher livre, independente, que pensa e tem consciência política, tem que pensar a questão da terra. Por que tem terras improdutivas que são repassadas de pai para filho? Por que o pobre tem que trabalhar 12 horas por dia? A educação está sucateada. Porquê? Tem pais que os filhos precisam trabalhar aos 14 anos para conseguir se manter. Isso não pode continuar”, explica a moradora.

Ela não acredita que faltam candidatos que representam as mulheres, mas que muitas ainda não despertaram a consciência política. “São poucas ainda, uma minoria que observa esse cenário com clareza. Mulher é assassinada, atacada. Todo dia morre uma mulher. Temos que andar no tapete do que os homens querem, conviver com o machismo. O candidato tem que abraçar causas das minorias, da mulher”, conclui. Atualmente, uma filha e neto moram com ela. A filha se separou e está alugando um apartamento.

Assim como Idalina, a faxineira Eliane Alves da Silva, 45 anos, não sabe em quem votar. Ela mora no setor Santa Luzia, área carente da Estrutural. Lá, perdeu dois dos 11 filhos e se preocupa com a escalada da violência. “Precisamos de alguém que traga a segurança de volta às ruas. Não podemos viver com medo eterno. Quem vai resolver isso? Ainda não sei, mas precisamos encontrar alguém”, reclama. “A falta de moradia e de renda prejudica a população e o desenvolvimento do país. Precisamos de condições para trabalhar e colocar comida na mesa”, avalia.

Ela sustenta a família com menos de um salário mínimo. Quatro filhos, entre 7 e 16 anos, e um neto recém-nascido vivem com ela no barraco. “O que não pode acontecer é continuar como está. Olha a situação deste país. Ninguém está vendo os

caminhos que a saúde, a educação e o mercado de trabalho estão tomando? Qual vai ser o futuro para esses jovens?”, critica. Eliane destaca que nenhum candidato a representa. “Paro para pensar nas pré-campanhas que estão aí, ninguém se aproxima do que eu penso, das necessidades que tenho e das mudanças de que a minha comunidade precisa”, pondera.

CorrupçãoOs recentes escândalos de corrupção na política brasileira se tornaram pauta para a escolha do voto da costureira Francisca Merianunce Araújo de Souza, 65 anos. A moradora do Bloco B da 403 Sul acredita que, para as áreas principais do governo funcionarem, a integridade dos gestores deve balizar as ações. “Não podemos mais ter situações de desvios e roubos como os que aconteceram. Dessa forma, não temos como pensar em futuro”, destaca.

Francisca tem dois filhos e cinco netos. Ainda cuida do marido de 90 anos. Ela reclama também da burocracia do país. “Coisas que deveriam ser solucionadas facilmente se arrastam por tempos. Assim, não tem como um projeto de nação dar certo. Sinceramente, acredito que as pessoas nunca estiveram tão desesperançosas para votar. Estamos com aquele sentimento de que não adianta mais procurar. Não tem alternativas”, avalia.

Com 12 candidatos com pré-campanha na rua, Francisca diz que ninguém tem o discurso de união do país. Para ela, nenhum dos políticos que pleiteiam a Presidência se mostrou capaz de juntar os brasileiros em um projeto de reestruturação do país. “Observo os discursos e sempre estão muito ligados ao universo do candidato. Com isso, as discussões ficam muito pontuais. Creio que as áreas principais (saúde, educação, segurança e emprego) deveriam ser foco de todos os candidatos. Estamos saindo de uma crise e não temos opções para nos reerguermos”, destaca.

O DF segue a tendência nacional. Na capital federal, em relação ao pleito passado, o eleitorado feminino cresceu 2,3%. Passou de 1.071.231 para 1.096.615: 25.384 a mais. Em 2014, pela primeira vez, o número de mulheres em condições de votar ultrapassou a casa do milhão. Os homens ainda não bateram essa marca. Além disso, cresceu menos. Entre 2014 e 2018, houve o aumento de 1,1% de eleitores do sexo masculino: 11 mil pessoas a mais. Eles eram 926.230 e chegaram a 937.261 aptos a escolher seus representantes.

Afinar o discurso

Tânia Fontenele, pesquisadora de gênero e coordenadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher, explica que o percentual de mulheres indecisas mostra como elas não se sentem representadas pelos candidatos. “O que precisa ser analisado é se eles incluíram políticas para mulheres em seus discursos e quais as propostas. Temos que perceber que as discussões são para mulheres de várias classes. Há chefes de família que são vendedoras de pastel e tem mulher que é pós-graduada”, destaca.

As pautas das mulheres, segundo Tânia, estão mais ligadas a questões básicas. “Elas vão pleitear melhorias em serviços básicos, como hospitais, escolas e segurança. Há ainda a preocupação com o mercado de trabalho e a oferta de emprego”, conclui. Tânia acredita que a cultura de “mulher não vota em mulher” está acabando. “Esse comportamento tem sido enfraquecido cada vez mais”, pondera.

O Brasil é signatário de uma campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) que pretende equilibrar o número de mulheres e homens na política. A ideia é que até 2030 ambos os sexos ocupem a mesma quantidade de cargos no parlamento. Mesmo as mulheres sendo maioria do eleitorado no país, elas não têm boa representação no Congresso. Dos 513 deputados, somente 10,5% são mulheres. No Senado, dos 81 parlamentares, 16% são do sexo feminino. Na Câmara Legislativa, apenas cinco são mulheres dos 24 deputados. Na Câmara dos Deputados, dos oito representantes do DF, somente uma é mulher. A capital federal não tem nenhuma senadora.

Nuances
O professor Rui Tavares, cientista político da Universidade de São Paulo (USP), é categórico: candidato que quer chegar ao segundo turno tem que conquistar o voto das mulheres. “Não há como fugir. Vai fazer falta, por mais que o eleitorado feminino não seja único. Eles (candidatos) deverão estar atentos aos limites que precisam ser respeitados. Discursos e condutas machistas podem mudar o panorama”, alerta. O segredo, segundo ele, é compreender que essa parcela do eleitorado, apesar de transparecer um bloco único, tem nuances que precisam ser observados.

A pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta Machado acredita que o maior gap é o de candidatos capazes de atender às necessidades das mulheres. “Essa parcela do eleitorado não é um segmento uniformizado. Em função disso, terão muitas perspectivas diferentes. Estarão presentes eleitoras progressistas e conservadores, de diferentes classes sociais. Temos que pensar, sobretudo, sobre igualdade de gênero. As mulheres cada vez mais estão defendendo seus direitos”, explica. (CB)
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Justiça “atropela” Incra e despeja ribeirinhos assentados no Marajó

Sem moradia e sem poder produzir açaí, a subsistência de casal com sete filhos está ameaçada

A família está sendo na casa de parentes, mas perdeu grande parte dos poucos bens que tinham / Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá

Chovia fino no dia 7 de junho deste ano quando Valdely Moraes de Souza, 36 anos, viu sua casa de madeira ser destruída no lote de assentamento rural situado na Ilha dos Carás, em Afuá (PA), por homens que cumpriam ordem judicial do juiz da vara única da comarca. O município integra a região do Marajó, arquipélago flúvio-marítimo no Pará.

Ela, o esposo, Rubenilson Monteiro da Costa, e os setes filhos, são beneficiários da reforma agrária e vivem há décadas na ilha. O Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Ilha dos Carás foi criado pelo Incra em 2008, e, portanto, não há qualquer irregularidade na ocupação daquelas terras.

No entanto, uma equipe de policiais da cidade de Breves liderada por um oficial de justiça foi até o lote onde vivia a família de Valdely para cumprir uma determinação da Justiça de desocupação, em favor de Arlete Abdon dos Santos Moreira e Jorge Teixeira Moreira. De acordo com informações do processo judicial nº 0178194-30.2015.8.14.0002, ambos residem em Macapá, no Amapá.

A Superintendência Regional do Incra no Pará (SR-01) se manifestou por meio de nota e afirma que a Comarca de Afuá não comunicou o órgão sobre as reintegrações de posse que estavam em curso, “procedimento normalmente adotado pelas instâncias do Judiciário estadual em se tratando de áreas de reforma agrária”.

Valdely e Rubenilson estiveram nesta semana em Belém para denunciar ao Ministério Público Federal (MPF), Incra e Secretaria de Patrimônio da União (SPU) a situação em que se encontram.

A reportagem do Brasil de Fato acompanhou a audiência na sede da autarquia de regularização fundiária e conversou com Valdely. Muito emocionada, ela conta que o momento mais triste foi quando os filhos chegaram da escola e viram a casa no chão.

Munida de coragem, ela ainda filmou toda ação do despejo, da retirada dos seus poucos móveis, roupas, brinquedos dos filhos, até o momento que viu sua casa ser derrubada. Valdely e a família agora esperam por justiça.

“Eu espero, como falei pra ele [Jorge Teixeira], que se existe justiça, que ela esteja do nosso lado, que a gente venha conseguir as nossas coisas de volta, porque está tudo perdido, se acabando: minha estante já não tem mais nenhum pedaço, a água já levou tudo, meus guarda roupa, tudo lá no terreiro jogado”, desabafa.
Autonomia

O casal de ribeirinhos vive do que produz no lote. Valdely relata que possuem uma grande quantidade de árvores frutíferas como caju, coqueiro, banana, mas é do açaí que a família tira sua subsistência, além dos pequenos serviços que o marido faz como carpinteiro. Depois que a casa de madeira foi derrubada, a família foi acolhida na casa de parentes que também moram na ilha.

Antes da criação do assentamento, metade de tudo o que o casal produzia era vendido para Teixeira, que solicitou a ação de despejo, numa condição de meeiro –relação estabelecida pelo suposto dono da terra que concede a uma família o direito de morar num terreno em troca de metade de tudo que for produzido.

Valdely ainda lembra que “se uma saca de açaí era 100 reais, ele só pagava 30” e completa “e ai de quem vendesse para outra pessoa”.

Com a criação do assentamento, diversas famílias ganharam autonomia nas suas produções e passaram a não manter mais essa condição.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato com o advogado de Arlete Moreira e do “Coronel” Teixeira, como é conhecido, mas não houve posicionamento sobre os fatos relatados até a publicação desta reportagem.

Cadastro

Irineu Pinheiro, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá (STTR), avalia que os conflitos causados por pessoas que afirmam ser donas de terras se intensificou depois que foi criado o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

”Há pessoas que agem de má fé, que fazem esse CAR de maneira individual e também se sobrepõem dentro da área, diz que tem uma determinada área e faz um CAR em cima dessa área, que muitas vezes são em áreas muito extensas e que ocasionam esses conflitos”.

O CAR é um registro público eletrônico criado pelo governo federal com o objetivo de traçar um mapa digital a partir de informações georreferenciados de imóveis rurais e assim realizar um diagnóstico ambiental das áreas. Apesar da ferramenta integrar um processo de regularização fundiária, o cadastro não concede título da terra, ainda que venha sendo utilizado como tal.

O presidente do sindicato acredita que o conflito se acirra quando são feitos cadastros individuais em cima de CAR de assentamentos, como é o caso da Ilha dos Carás. Sobre essa situação, a reportagem do Brasil de Fato já denunciou casos de CAR sobrepostos em áreas de comunidades tradicionais.

No mapa do Siscar é possível verificar o cadastro do assentamento da Ilha dos Carás feito pelo Incra e em cima o Car individual em tom rosa mais escuro indicado uma área de 1.862,18 hectares

Em março, a vara agrária de Castanhal do Ministério Público (MP) emitiu uma recomendação à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) para que cancele os cadastros individuais “incidentes em Projetos de Assentamento Agroextrativistas, Territórios Quilombolas e demais áreas coletivas, com regularização fundiária já concluída”.

Ainda segundo o documento, “após a coleta de dados junto a diversos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Marajó” foi verificado que o CAR “tem sido utilizado de má fé na tentativa de intimidar famílias e mesmo grilar terras na região”.

O STTR ainda não teve acesso ao processo judicial do despejo para verificar quais documentos foram apresentados para justificar o despejo perante a Justiça.

Medidas


O Incra no Pará comunicou que solicitou à Semas “o cancelamento imediato do Cadastro Ambiental Rural (CAR) sobreposto à área do Projeto Agroextrativista Ilha Carás, bem como de todos os outros CAR feitos por terceiros” e a “suspensão dos despejos de famílias que fazem parte da relação de beneficiários de projetos agroextrativistas, e de envio dos respectivos processos para a esfera federal”.

Além disso, a Superintendência Regional também requereu à Superintendência do Patrimônio da União no Pará (SPU-PA) “que proceda a análise de documentos apresentados por quem se diz proprietário de imóveis em áreas de Projetos Agroextrativistas para que o órgão, vinculado ao Ministério do Planejamento e Gestão, responsável pela gestão de bens imóveis e móveis da União, determine ou não a validade legal desses documentos”.

Fonte: Brasil de Fato I Lilian Campelo
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Belo Monte coloca biodiversidade do Xingu em risco

Cientistas alertam que a hidrelétrica pode ser responsável pelo desaparecimento de peixes endêmicos na Volta Grande do Xingu, no Pará. Ao menos 26 espécies estão ameaçadas

Espécies de peixes que só vivem na Volta Grande do Xingu correm risco de extinção|Lalo de Almeida-Folhapress

Pesquisadores alertam que a hidrelétrica de Belo Monte pode ser responsável pelo desaparecimento de espécies de peixes na Volta Grande do Xingu, no Pará. O barramento definitivo do rio Xingu, em 2015, provocou uma redução da vazão da água e alteração no pulso das secas e cheias, trazendo impactos que podem ser irreversíveis em uma das regiões mais biodiversas do planeta. A constatação foi feita em artigo publicado na revista Biological Conservation. [Leia aqui artigo original em inglês e aqui a versão traduzida para o português].

Das 63 espécies endêmicas que são conhecidas na Bacia do rio Xingu, 26 só existem nas corredeiras da Volta Grande. São aproximadamente 100 quilômetros de rio com uma riqueza de plantas e animais incalculável, além de ser morada de centenas de famílias ribeirinhas e duas Terras Indígenas. “Cada trecho de corredeira, cada braço de rio é um ambiente único. Sem sombra de dúvidas é uma região única no mundo que tem que ser preservada”, comenta o biólogo Leandro Souza, um dos autores do estudo e pesquisador do Laboratório de Ictiologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Como o pulso de enchente e vazante será profundamente alterado, o nível da água não será suficiente para manter a nutrição da vegetação nas ilhas, nem para que a fauna aquática tenha acesso às áreas inundáveis, prejudicando sua reprodução e, por consequência, os modos de vida das populações que dependem do rio para viver.
Equilíbrio ameaçado

Tão importante quanto a diversidade de fauna e flora, são os sofisticados processos ecológicos que regulam e garantem a manutenção da vida na região. É esse delicado equilíbrio que está em jogo.

Acari Zebra, o Zebrinha, só vive nas corredeiras da Volta Grande do Xingu e pode desaparecer|Leandro Sousa-UFPA

Segundo os pesquisadores, a diminuição do volume de água e a mudança na dinâmica da vazão vai remover um componente chave que mantém a heterogeneidade do sistema. “A redução de 80% atualmente esperada provavelmente resultará em fluxo insuficiente para a manutenção da diversidade aquática”, diz o estudo

Nas fendas das pedras nas corredeiras do Xingu vive um peixe ameaçado de extinção: o Acari Zebra (Hypancistrus zebra), conhecido como “Zebrinha”. Os Juruna, povo que vive na Terra Indígena Paquiçamba, são exímios mergulhadores e conseguem encontrar essa espécie a dezenas de metros no fundo do Xingu. Conhecedores do rio e suas dinâmicas, eles perceberam a diminuição do número de zebrinhas e se preocupam com o desaparecimento dessa espécie que só vive nas correntezas, habitat particularmente vulnerável às alterações hidrológicas.

O pacu, espécie de peixe mais consumida pelos Juruna, também está ameaçado. Ele se alimenta de frutos de caem na água durante o inverno, época de cheia do rio. Com a diminuição do volume de água e a mudança na dinâmica das vazantes, os frutos caem no seco, o que impossibilita a alimentação e a consequente reprodução da espécie. O exemplo do pacu ilustra um dos muitos processos ecológicos que estão em risco e que podem impactar a manutenção da biodiversidade aquática. A falta de sincronismo entre a vazão necessária mínima para alagar os locais de reprodução no momento certo e alimentação de espécies importantes para consumo humano das populações da Volta Grande poderá impactar a segurança alimentar de indígenas e ribeirinhos.

Os pedrais, habitats importantes para a alimentação e reprodução de peixes, já sofrem com a seca|Marcelo Salazar-ISA

Tiro no escuro


A Norte Energia, empresa concessionária de Belo Monte, deve implementar o chamado “Hidrograma de Consenso Ecológico”, nome que eles dão para o controle do volume de água que vai passar pela Volta Grande e o volume que será desviado para a produção de energia. Isso deve ocorrer a partir de 2019, ano em está prevista a finalização da instalação das 18 turbinas que correspondem à potência máxima da usina.

O Ibama estabeleceu um rigoroso plano de monitoramento dos impactos derivados da vazão residual prevista no Hidrograma, monitorando o que acontece com a fauna, flora, água e os impactos no modo de vida das populações que ali vivem. A proposta é determinar qual é o mínimo de água necessário para manter a vida na Volta Grande (manutenção dos processos ecológicos, ciclo de vida dos peixes e plantas, garantia de subsistência física e cultural dos povos indígenas e ribeirinhos que ali vivem), e, ao mesmo tempo, qual é a quantidade máxima de água que a empresa pode usar para movimentar as turbinas instaladas.

O que o Hidrograma de Consenso estabelece, no entanto, é muito aquém da vazão natural do rio e não leva em consideração questões relacionadas à sincronia do rio com a floresta que alimenta a fauna aquática e serve como refúgio para sua reprodução. “É um tiro no escuro”, alerta Souza.

Para ele, a diminuição do volume de água não pode ocorrer de forma tão abrupta: ‘“Não sabemos qual é a quantidade mínima de água para manter a biodiversidade da Volta Grande do Xingu, essa é a grande questão ecológica que ninguém sabe responder. Talvez o Hidrograma de certo, mas talvez não. Depois de anos de testes, podemos descobrir que alguma espécie não se adaptou, foi extinta. Vamos correr esse risco? O hidrograma teria que ser feito mais paulatinamente”.

Há cinco anos os Juruna realizam um monitoramento independente dos peixes e consumo alimentar na região. Em 2016, primeiro ano após o barramento definitivo do rio, eles registraram de perto as mudanças e comprovaram que tanto os peixes quanto a navegabilidade do Xingu foram impactados mesmo com o volume de água superior ao proposto pelo Hidrograma de Consenso. Naquele ano a vazão foi de aproximadamente 10 mil m3/s, já os índices propostos preveem vazões de 4 mil m3/s e 8 mil m3/s, alternadas ano a ano a partir de 2019.

“Os Juruna já comprovaram que o Hidrograma do jeito que foi definido pela Agência Nacional de Águas (ANA) o Ibama é insustentável. O início dos testes precisam ser cancelado e é urgente que os critérios para definição do Hidrograma sejam revistos com contribuições da academia, mas principalmente com a participação de indígenas e ribeirinhos que moram na região e conseguem descrever muito bem as mudanças que vem acontecendo desde 2015 com o desvio do Xingu”, aponta Biviany Rojas, advogada do ISA.

No artigo, os pesquisadores fazem coro aos Juruna e deixam claro que o Hidrograma de Consenso do jeito que está precisa ser revisto. O estudo propõe que a quantidade de água liberada seja de acordo com as porcentagens da vazão natural do rio, e não com base em valores pré estabelecidos. Esse método, segundo eles, “ajudaria a manter a dinâmica de fluxos por toda a região abaixo de Volta Grande e no médio Xingu. Além disso, sugerem que a cada dois anos seja liberada uma quantidade de água de 20 mil m3/s, mimetizando a dinâmica sazonal do auge dos períodos de cheia.

O estudo conclui que a manutenção da diversidade de espécies vai depender do volume de água que será liberado e das alterações no pulso do rio: “Está claro que a conservação da diversidade de peixes e do endemismo existentes na extensão pesquisada vai depender grandemente da gestão do trecho cujo fluxo será reduzido em Volta Grande”.
Monitoramento independente

A Associação Yudjá Mïratu da Volta Grande do Xingu, a Aymix, realiza o monitoramento independente da pesca desde 2013, em parceria com a UFPA e apoio do ISA. O estudo vem sendo feito por meio da coleta de dados mensais sobre as dinâmicas da pesca e o consumo alimentar das famílias da aldeia Mïratu. Esses dados são importantes para desenhar a linha base que permite comparar a situação antes do barramento com as transformações que estão acontecendo.

Bel Juruna, agente de saúde e liderança da aldeia Mïratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca|Cristiane Carneiro

O Projeto Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) iniciou suas atividades de monitoramento somente no segundo semestre de 2014, o que não permitiu o detalhamento necessário sobre o consumo de peixe e a comercialização das principais espécies que caracterizam a atividade pesqueira dos Juruna no período que antecedeu o barramento do rio. O monitoramento feito pelos indígenas, portanto, é o único que contém os dados mais completos que comprovam os impactos de Belo Monte na atividade pesqueira.

Fonte: ISA
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Monitoramento do Imazon demonstra avanço do desmatamento na Amazônia


O desmatamento na Amazônia aumentou 73% em maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do monitoramento mantido pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados esta semana.

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto indica que 634 quilômetros quadrados de florestas foram derrubados no mês passado, se forem consideradas apenas áreas com mais de 10 hectares. Em maio do ano passado, foram desmatados 365 quilômetros quadrados.

Os dados indicam também crescimento na degradação da floresta, provocada por queimadas ou extração seletiva de árvores, principalmente no leste do Pará. Cento e trinta quilômetros de florestas foram degradados na Amazônia em maio, de acordo com os números.

Outra preocupação trazida pelos dados é o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação. “Chama a atenção a distribuição dos alertas no estado do Pará”, destaca o engenheiro ambiental Antônio Victor Fonseca, pesquisador do Imazon.

“Teve uma concentração alta em áreas protegidas. Se você ver o ranking da Amazônia, a APA Triunfo do Xingu está em primeiro, com 82 quilômetros quadrados, em seguida está Jamanxim, com 38 quilômetros quadrados. Em Jamanxim, foram áreas grandes desmatadas”, completa.

De acordo com o pesquisador, ainda não é possível avaliar as causas desse aumento na derrubada de florestas. Ele lembra que as informações são bem recentes e os dados anuais do SAD ainda não foram fechados, já que o ciclo de monitoramento começa em agosto.

Quase metade das florestas perdidas (48%) cobriam áreas no estado do Pará. Mato Grosso (29%) e Amazonas (15%) completam o ranking dos maiores desmatadores no mês passado.

“O corredor do sul do Amazonas também é uma área crítica”, avalia o pesquisador. “O desmatamento está se deslocando, se concentrando nessa região dos quatro estados, que inclui também Rondônia. Há dois ou três anos, isto está acontecendo”.

Fonseca ressalta que esse desmatamento não avançou para o interior do estado do Amazonas graças a um cinturão de áreas protegidas no sul do estado, como o Mosaico do Apuí, um conjunto de unidades de conservação que ocupa áreas nas divisas com Pará e Mato Grosso.

Mas ele alerta que existem iniciativas e pressão para reduzir áreas protegidas em Apuí, sul do estado do Amazonas, que tem contribuído para frear o desmatamento.

Fonte: O Eco
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Refugiados e estrangeiros elogiam receptividade dos brasileiros


O Brasil tem mantido a fama de ser um país que recebe bem estrangeiros que, por motivos de força maior, foram obrigados a adotá-lo como segunda pátria. Refugiados ou mesmo residentes estrangeiros entrevistados pela Agência Brasil – entre eles a princesa da tribo ganesa Krobo, Helen Teye – não economizam adjetivos positivos para a forma como foram recebidos pelos brasileiros.



Ter uma vida de princesa pode não ser algo tão bom como se costuma imaginar. No caso de Helen Teye, que vive no Brasil desde 2014, em Gana isso representava risco de vida, devido aos conflitos entre etnias que viviam na mesma região. “Não queria viver esses conflitos e não queria continuar na minha vida de princesa, porque isso representa risco em uma situação de conflito com outras etnias. Eu dormia sem saber se sobreviveria ao dia seguinte. Aqui, eu durmo tranquilamente, com paz em minha cabeça. Ninguém me ataca nem me insulta”, disse a princesa.

Helen é um dos estrangeiros que participam hoje (23), no Memorial dos Povos Indígenas em Brasília, de uma celebração intercultural que visa integrar brasileiros com pessoas de outros países, que optaram por morar no Distrito Federal. O encontro faz parte de uma série de eventos organizados com o objetivo de lembrar o Dia Mundial do Refugiado (20 de junho) e a Semana do Migrante, o MigrArte 2018.

O início da vida no Brasil foi bastante difícil para a princesa. Emocionada ao lembrar os momentos de dificuldade e ao falar da receptividade dos brasileiros, ela revelou as dificuldades que teve até mesmo para pedir dinheiro ou comida nas ruas, na época em que vivia em um acampamento improvisado. “Como ninguém aqui fala meu dialeto, e poucas pessoas se comunicam em inglês, eu não conseguia me comunicar nem mesmo para dizer que estava passando fome. Só depois de ter aprendido a falar a palavra ‘comida’ é que a coisa começou a melhorar. Por isso, digo que, para mim, a palavra mais importante do português é ‘comida’ ”, disse a princesa à Agência Brasil.

A virada na vida de Helen no Brasil ocorreu depois de ela começar a frequentar uma igreja, em Brasília. “Foi isso que acabou com a minha solidão no Brasil. Quando cheguei não conhecia ninguém. Na igreja, eu conheci as primeiras pessoas, e elas me ajudaram muito. Pude então começar a vender roupa e artesanato. O Brasil realmente me ajudou muito”, afirmou, de forma pausada, por causa da emoção e das lágrimas.

Helen disse ter uma grande preocupação com a situação político-eleitoral brasileira. “Minha experiência mostra o quão difícil é viver em um país dividido. Não queiram dividir o Brasil, porque a divisão é sempre ruim para todos os cidadãos de um país. Por isso, peço que tenham o desejo de paz na hora de votarem, este ano. Eu quero viver aqui, e quero que a paz que vi aqui continue”, acrescentou.

Venezuela


As crises política e econômica da Venezuela fizeram com que a artesã Fadwa Bittar,de 26 anos, tomasse a “difícil decisão” de tentar a vida por aqui, com o objetivo de ajudar financeiramente os pais idosos que ainda vivem em seu país. Ela chegou ao Brasil em 2016. Desde então viveu em Roraima, Amazonas e Rondônia até chegar a Brasília, no ano de 2017.



Fadwa tem conseguido enviar dinheiro aos pais, com a venda do artesanato que produz. “Apesar de ser advogado, meu pai não conseguiu se aposentar”, disse a moça, que vende produtos em crochê (em especial roupas para bebês) e bijuterias. Boa parte da venda é feita pela internet.

Ao chegar ao Brasil, solicitou refúgio, sem sucesso. Apesar de não ter conseguido, está satisfeita com a situação de residente. O pior momento foi quando, recém-chegada em Boa Vista, teve suas peças roubadas por outros venezuelanos.

“O Brasil me recebeu muito bem. As pessoas aqui são boas, agradáveis, e têm me ajudando, inclusive, a resolver questões burocráticas, porque tenho de renovar minha situação de residente a cada dois anos. Isso sem falar nos amigos que já me ajudaram com dinheiro e com comida”, disse ela ao ressaltar que a acolhida dada pelos brasileiros foi o que de melhor lhe aconteceu, desde a chegada.

Fadwa diz que pretende retornar à Venezuela, mas para que isso aconteça, a situação em seu país precisa melhorar. “Há uma ditadura disfarçada na Venezuela, que fica ainda pior por conta dos embargos e sanções aplicados por outros países. Metade dos nossos problemas são causados pelo governo. A outra metade é por causa de sanções e embargos”.

Afeganistão


Refugiado há quatro anos no Brasil, o afegão Omidullah Hamidzai, 30, trabalha com gastronomia e com a importação de frutas secas e pedras. No evento de hoje, no Museu do Índio, ele estava vendendo pastel afegão típico, recheado com legumes.



“Eu era militar em meu país. Participei de vários conflitos até decidir que não queria mais isso para minha vida. Desde o contato que tive com brasileiros em Moscou (Rússia), onde fiz um curso de Direito, tive vontade de vir para cá. Eram pessoas muito boas. De lá retornei ao Afeganistão, já tendo o desejo de mudar para o Brasil", disse.

Segundo ele, o Brasil se encaixa perfeitamente aos desejos idealizados que o povo afegão tem de sociedade. “Aqui eu estou feliz porque tenho liberdade, e por ter facilidades para trabalhar. As pessoas têm boa vontade para ajudar pessoas em situação similar à minha”, disse o afegão. A única coisa que lamenta ter passado em território brasileiro foi o roubo de ter seu celular, há cerca de dois meses.

Um de seus quatro irmãos, Ahmadullah Hamidzai, fritava os pastéis. Ele contou que é medico, mas não pode exercer a profissão no Brasil. Ahmadullah chegou há quatro meses. “Meu sonho é poder voltar a exercer minha profissão aqui no Brasil. Por enquanto, estou me dedicando a estudar o português”, disse, em meio a elogios sobre a maneira como tem sido tratado no país.

Colombia

A refugiada colombiana Matilde, 45, chegou há cinco anos, acompanhada do marido que, preocupado com a possibilidade de o atual governo de seu país retomar o conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), não quer ter seu nome divulgado. Os dois aproveitaram o evento no Museu do Índio para vender uma espécie de canjica cozida chamada Arepa, feita com milho, sal, queijo ralado e manteiga.

“Foram os conflitos entre as Farc e o governo Colombiano que nos fizeram mudar para o Brasil. Nós vivíamos em um fogo cruzado. Agora, após o candidato vitorioso [Iván Duque], que toma posse como presidente no dia 7 de agosto] ter defendido a modificação do acordo de paz entre governo e as Farc, nossa preocupação é com a possibilidade de esses conflitos serem retomados”, disse o marido de Matilde, que é também refugiado.

Segundo o casal, a recepção dada pelos brasileiros foi excelente. “Fomos muito bem recebidos. Agora, o que mais desejo é voltar a trabalhar como operador de máquinas pesadas”, acrescentou.

Fonte: Agência Brasil
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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Santarém, 357 anos. Parabéns, Pérola do Tapajós!


Santarém, 357 anos!

Compartilho com vocês, uma música inédita de autoria da simpaticíssima Jana Figarella, autora de várias lindas canções, entre elas, uma que eu considero um hino santareno: ‘Nada se compara’.

Nesta nova composição, em parceria com Nilson Chaves, Jana mostra mais uma vez sua cumplicidade com o Pará, principalmente com Santarém, cidade pela qual tem um amor e carinho especial.

Atualmente residindo no Rio, a artista, de grande sensibilidade, carisma, gentileza e espontaneidade, se prepara para alçar novos voos na carreira.

Em agosto, ela desembarca em Santarém para um show de despedida antes de ir morar em Portugal.

A música fala sobre o Norte, do cotidiano ribeirinho, dos costumes regionais, ressaltando as belezas naturais da região, a cultura, a culinária, as lendas, e outros aspectos típicos do povo amazônico.

Música: Amazônico Dia
Composição: Jana Figarella e Nilson Chaves
Intérprete: Jana Figarella
Edição de imagens: Adriano Betcel
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Celpa rende homenagens a Santarém pelos 357 anos de muitas histórias


A cidade que tem Alter do Chão - a praia mais bonita do mundo - é o xodó dos moradores, dos turistas e das pessoas que chegam para passar férias


São 357 anos, milhares de histórias e mais de 123 milhões investidos em cinco anos de gestão Equatorial para garantir melhoria no sistema elétrico dos cerca de 105 mil clientes do município de Santarém.

Tarcila Francisca Pereira nasceu e foi criada na terra dos gigantes da arte, da música, da culinária, do açaí, do tacacá...a típica Pérola do Tapajós. Aqui, ela criou os cinco filhos e cuidou de netos e bisnetos, boa parte se reuniu ontem, 21, para cantar parabéns pelos 91 anos de vida. A idade avançada não lhe permite mais um bate papo como antigamente, mas, entre tantas coisas, a família lembra com carinho da caldeirada (com pirão e pimenta), do chibé e da manga com farinha, que não podiam faltar no cardápio da aposentada. Tarcila nunca arredou os pés de Santarém, ao contrário da autônoma Erica Castro que já deixou Santarém para morar em outros centros como Manaus, Macapá e São Paulo, mas depois de muitas idas e vindas, decidiu voltar e nunca mais morar fora da terra natal. Erica é uma das mais de 2 mil clientes da Celpa contempladas com geladeiras novas por meio do projeto Comunidade Eficiente, que também já permitiu a troca de mais de 8 mil lâmpadas incandescentes e fluorescentes, por lâmpadas de LED. “Sempre acreditei que um dia essa oportunidade ia chegar e veio num momento em que a dificuldade pesava no bolso, pois além de não funcionar direito, a geladeira da minha casa consumia muita energia. Depois da troca, o valor da conta de luz diminuiu”, reforça.

Este ano, Santarém ganhou dois grandes presentes antecipados: um foi o posto do Ecocelpa, que vem contribuindo com a preservação do meio ambiente, a partir da coleta seletiva de resíduos recicláveis, trocados por descontos na conta de energia elétrica. O outro se refere ao investimento, na ordem de R$ 600 mil, para a Associação Artístico Cultural Maestro Wilson Fonseca. A preocupação da concessionária de energia vai além. Com o projeto Mais Desenvolvimento Social foi possível revitalizar o prédio da Associação Santarena de Estudos e Aproveitamento dos Recursos da Amazônia - Seara; inaugurar uma sala de informática toda estruturada e com computadores modernos; e garantir melhores condições de trabalho e lazer para a turma de voluntariado e aos 230 dependentes da instituição.

Para o presidente da Celpa, Nonato Castro, a empresa atua com o propósito de melhorar a qualidade de vida da população e contribuir para desenvolvimento do município. Por isso, tem investido incansavelmente em ações diversas entre elas o combate à perda de energia elétrica. Desde 2013 já foram 133.449 unidades consumidoras regularizadas. Somente no ano passado ocorreram 9.700 regularizações. “Nós não medimos esforços para oferecer o melhor serviço aos nossos clientes. A prova disso é que em 2017 houve redução de 11,46% na quantidade de horas que o santareno ficou sem energia, comparado ao ano de 2016. Outro ponto que merece destaque é em relação à falta de energia, um problema bastante comum no passado, e que também conseguimos diminuir em quase 28%”, ressalta o presidente.

A energia elétrica que chega a Santarém atrai grandes empresas e também muitas pessoas, inclusive de fora do Brasil, como o indiano Blasius Kindo. Missionário da Congregação do Verbo Divino, o jovem de 39 anos se apaixonou pela cidade e não pretende mais sair daqui. “Sempre ouvi falar que Santarém é terra de encantos, de gente hospitaleira, precisei ver de perto para crer. Aqui tenho tudo, trabalho, estudo, amigos... já ingressei até na universidade. Agora, só volto à Índia para passar férias”, garante.

Nos 357 anos de fundação, Celpa aproveita para parabenizar a cidade que tem a Casa do Saulo, eleito o melhor restaurante da região Norte; Alter do Chão, eleita, em 2009, a praia mais linda do Brasil; e mais de 380 mil habitantes, os mais hospitaleiros do mundo.

Fonte: Ascom/Celpa
Foto: Adrio Denner
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Sisu: matrícula e lista de espera começam hoje

Começa hoje (22) o prazo de matrícula para os estudantes selecionados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O resultado está disponível na página do programa. Aqueles que foram aprovados devem ficar atentos aos dias, horários e locais definidos por cada instituição de ensino.

Nesta edição, o Sisu oferece 57.271 vagas em 68 instituições públicas de ensino superior em todo o país. O prazo para os selecionados se matricularem vai até o dia 28.

Lista de espera

Aqueles que não foram selecionados poderão participar da lista de espera. O prazo para que isso seja feito começa também hoje e vai até o dia 27. A convocação dos candidatos em lista de espera será de 3 de julho a 21 de agosto. Para participar, basta acessar o sistema na internet e confirmar o interesse.

A lista de espera vale apenas para a primeira opção de curso feita na hora da inscrição. Além dos candidatos que não foram selecionados em nenhuma das opções, podem participar aqueles que foram selecionados para a segunda opção de curso, feita também na hora da inscrição.

Sisu

O Sisu oferece vagas no ensino superior, em instituições públicas. Nesta edição, puderam concorrer os estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2017 e obtiveram nota acima de zero na redação.

As vagas serão oferecidas em oito instituições públicas estaduais, uma faculdade pública municipal e 59 instituições públicas federais, com dois centros de Educação Tecnológica, 27 institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia e 30 universidades. (ABr)
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"Andando no escuro” – diz pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi sobre falta de estatísticas pesqueiras


Apesar do forte potencial, pesca continua sendo prejudicada pela falta de dados oficiais da atividade em todo o país. Consideração foi uma das feitas por estudiosos da área no primeiro dia do Seminário de Desenvolvimento Sustentável da Pesca Manejada e Piscicultura na Amazônia em Belém

Ronaldo Barthem, formado em Biologia Marinha, mestre em Biologia de Água Doce e Pesca, doutor em Ecologia e pesquisador do Museu Emílio Goeldi – Pará, destacou a grande capacidade da pesca esportiva, ornamental e artesanal para o consumo no Pará. Em levantamento apresentado, disse que o “Pará exporta 38 vezes mais pescado que o Amazonas. Porém, o maior problema é em relação aos dados, porque o país vem passando a maior vergonha, já que desde 2011 não tem estatística pesqueira. Estamos andando no escuro, sem nenhum instrumento para monitorar isso” – lamenta.

A criação de peixes continua sendo outra importante discussão quando o assunto é melhorar a pesca de forma ampla e geral. Francisco Medeiros presidente executivo da Peixe BR defendeu que mesmo em meio a delicada situação econômica no país, “a piscicultura no ano passado cresceu 8%”.

Muitos desafios permeiam o desenvolvimento da pesca manejada, sobretudo no que se refere ao manejo sustentável do pirarucu. David McGrath falou sobre os desafios e necessidades para implementar estratégias de produção animal baseadas na piscicultura e pesca manejada. McGrath destacou algumas tendências: “a) transição da pesca para a piscicultura no Brasil, b) crescimento da atividade em quase todos os estados amazônicos, c) muitos vêem esse processo como resultado da modernização, d) no entanto não é um processo inevitável, mas resultado da falta de investimento na gestão dos recursos pesqueiros”.

Sobre o evento

O Seminário de Desenvolvimento Sustentável da Pesca Manejada e Piscicultura na Amazônia está sendo realizado nos dias 21 e 22 de junho no bairro Marco, em Belém.

A intenção é avaliar a situação atual da pesca e piscicultura, identificando oportunidades e gargalos para o seu desenvolvimento, bem como conhecer experiências relevantes dos estados amazônicos e definir diretrizes para uma estratégia de desenvolvimento integrando a pesca manejada e a piscicultura em todo o Estado.

Em dois dias, reúne cerca de 60 representantes de entidades ligadas a pesca, estudantes, pesquisadores e integrantes do poder público para debater a situação da pesca e piscicultura em toda a região amazônica.

O evento é uma realização da Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente – Sapopema, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – Sedap e Earth Innovation Institute com apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia – Sedeme, Norad e Tinker Foudantion Incorporated.

Fonte: Ascom/Sapopema/Samela Bonfim
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PONTO FINAL

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