domingo, 3 de junho de 2018

Acusados de crimes ambientais e corrupção ativa são presos em Tucuruí



A Polícia Civil prendeu em flagrante três pessoas acusadas de crime contra o meio ambiente e associação criminosa, no município de Tucuruí, no sudeste paraense, durante operação deflagrada por policiais da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá (Deca). Segundo informação divulgada neste domingo (3), além dos três presos, cinco pessoas foram conduzidas para a Seccional de Tucuruí pelos policiais.

Das cinco pessoas, quatro foram liberadas após serem enquadradas por transporte ilegal de madeira e derrubada de árvores para fins comerciais. O outro detido prestou depoimento e foi liberado. Dois dos três presos em flagrante vão responder também por corrupção ativa, por terem oferecido aos policiais civis R$ 10 mil para serem liberados.

Com os acusados foram apreendidos três caminhões carregados com madeiras nobres, uma motosserra e R$ 6 mil em espécie. A operação foi comandada pelo delegado Waney Alexandre, titular da Deca de Marabá.

O delegado contou que, por volta de 10 h de sábado (2), a equipe da Deca, que estava em missão na região de Tucuruí, abordou quatro caminhões. Em três foram encontradas toras de madeiras nobres, como Castanheira, que tem a extração proibida por lei. Ao verificarem os veículos, os policiais constataram que se tratava de transporte ilegal de madeira, visto que os motoristas não tinham autorização legal para transportar produtos florestais.

Os três motoristas – identificados como Marisvan dos Santos Pereira, Cosme Cerqueira de Moraes e Ocimar Pereira Reis - foram detidos para responder por crime ambiental, previsto no artigo 46 da Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605/98. O quarto caminhão, conduzido por Marcos de Pádua, estava descarregado. Marcos foi ouvido e liberado. Após a abordagem dos caminhões, disse o delegado, os policiais civis foram ao local indicado pelo motorista como área de extração de madeira nobre.

Devastação - Conforme Waney Alexandre, a equipe policial constatou a existência de uma grande área devastada dentro de um assentamento, na zona rural de Tucuruí. Durante a incursão policial, o operador de motosserra Carlos da Silva Costa foi detido e responsabilizado pelo crime de cortar árvore para fins comerciais.

No local foi preso em flagrante o tratorista Josenildo Cunha, que vai responder por desmatar, degradar e explorar economicamente a natureza, e por associação criminosa. Ainda segundo o delegado, Carlos e Josenildo eram os responsáveis pela derrubada de castanheiras. No momento da operação, os dois tentaram fugir, mas acabaram capturados.

Após as prisões e apreensões, a equipe da Deaca foi abordada por dois homens, identificados como Eudes Moraes, de apelido Cuca, e Antonio Carlos Siconelle, conhecido como Toninho, proprietários dos caminhões e responsáveis pelas extrações de madeira na área. A abordagem ocorreu quando os policiais civis já se deslocavam em direção à sede municipal de Tucuruí, para realizar os procedimentos de praxe.

O delegado contou que Antonio Carlos lhe ofereceu R$ 10 mil para que liberasse os presos. "Ele me falou que R$ 6 mil tinha no bolso, e os outros R$ 4 mil, para completar os R$ 10 mil, iria na cidade para pegar emprestado", detalhou Waney Alexandre.

Após dar voz de prisão a Antonio Carlos, o delegado revistou o acusado e encontrou em um dos bolsos dele os R$ 6 mil, que foram apreendidos. O policial disse que gravou toda a conversa em um celular.

Eudes Moraes é acusado de contratar pessoas para extração ilegal de madeira, fornecendo as ferramentas e o combustível usados pelos tratores. "Ele negociou com o responsável pelo assentamento para fazer a extração das árvores na área. As madeiras cortadas eram levadas pelo tratorista do matagal até a estrada vicinal, onde eram colocadas nos caminhões, que as levariam até Tucuruí para abastecer serrarias do município. Eles chegavam a cortar de duas a três castanheiras por dia", afirmou o delegado.

Eudes e Antonio Carlos foram presos em flagrante por desmatar, degradar e explorar economicamente a natureza, por associação criminosa e corrupção ativa. Eles estão à disposição da Justiça. (Ag. Pará)
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