sábado, 30 de junho de 2018

No caminho havia um, dois, três... dezenas de bloqueios.

Na estrada, sol e chuva se revezam a cada minuto. O chão escorregadio é um alerta: Se não tiver cuidado redobrado, é mais um bloqueio para a conta

Por: Núbia Pereira
Sexta-feira, 25 de maio. Meio dia! Temperatura batendo na casa dos 50 graus. É essa sensação que tenho quando saio do carro para fotografar o primeiro bloqueio de uma viagem que começa em Altamira, na região Xingu. Caminhoneiros reivindicam, principalmente, a redução no preço do óleo diesel. Além disso, pedem o aumento no valor do frete, melhorias nas condições de trabalho e a extinção do pedágio nas rodovias estaduais.




Duas carretas impedem o ir e vir de dezenas de carros. Minha proposta é seguir pela Transamazônica (BR-230) e pela Santarém-Cuiabá (BR 163). As duas rodovias se cruzam, mais adiante, no município de Rurópolis. O meu destino é Santarém, no oeste do Pará.




Até chegar ao município de Brasil Novo, distante 50 km de Altamira, há asfalto. Da estrada, é possível avistar a simplicidade de um típico lugar do Xingu. Sem prédios, sem grandes obras, sem progresso e com pouca ordem!




No Norte do Brasil, os caminhoneiros ganham reforço de um time que entende, mais que qualquer ser humano, como fazer um bloqueio na estrada: o da boiada. Aliás, na região amazônica eles são “phd” no assunto. E nem adianta olhar com cara feia porque aqui eles só seguem a teoria da vaca “cagando e andando..."




Passado o segundo obstáculo é hora de acelerar...O chão até Medicilândia é batido. Tudo é muito diferente do que haviam me contado e/ou do que eu já tinha visto em fotos, imagens...O olhar de quem passa pela estrada é outro!




O caminho é longo... Fechar os olhos, é perder de vista cenários como este.



Se sonhar não custa nada, a impressão que tenho é que acordei no Alasca. Seria o terceiro “bloqueio”. Impossível passar...despercebida.




E por falar em passar... Eu sempre pensei que a transamazônica fosse larga, com duas vias de mãos duplas. Mas, é bem estreita. Por sorte, os bloqueios dos caminhoneiros deixaram o trânsito “leve”, na sexta.




Decerto, quando se avista de longe, a impressão é que a BR 230 não passa de um ramal.




Se tem um lugar que não existe estações do ano, esse lugar é a Amazônia. Se liga, em mais um bloqueio que tem pela frente. E vem de cima.


Na estrada, sol e chuva se revezam a cada minuto. O chão escorregadio é um alerta: Se não tiver cuidado redobrado, é mais um bloqueio para a conta.

Mas, não é só isso não! A estrada cheia de ladeiras, oferece riscos constantes. Prenuncio de novos bloqueios?


E a vida segue. A previsão de viagem é de quase 9 horas.


Uma cena do passado, no presente. A lembrança vem à tona e começo a viajar na companhia da minha avó, meus irmãos e meus primos em busca desse cipó, que depois de tirada a folhagem servia para pular corda (uma das brincadeiras mais divertidas e saudáveis da criançada da época - anos 80/90). Em caso de rebeldia, a cipoada era certeira! 

Após cinco horas de muitos desvios, por conta de uma velha estrada em má formação, sol, chuva e algumas paradas, cheguei a Uruará. O município, que possui uma população estimada de 44.370 mil habitantes, teve origem num povoado surgido nos anos 70. Daqui, desisti de seguir pela transamazônica para tentar chegar mais rápido ao meu destino.


Os sinais indicavam flores pelo atalho.


Bastaram alguns quilômetros para dar de cara com um novo bloqueio. Era o momento de repensar se valia a pena seguir...




Na esperança de que chegaria do outro lado, arrisquei. Aquela espécie de areia movediça quando engole o carro. Por sorte, havia chegado bem próximo à terra firme. Deu tempo de clamar por socorro.


Benditos caminhoneiros que também resolveram encurtar o caminho. E que ajudaram a seguir o meu.




O sol já estava se pondo e o cansaço já tomava conta de mim. Registrei a última foto, de dentro do carro, numa estrada desconhecida das autoridades, e muito conhecida por motoristas que precisam ir e vir (do oeste ao sul do Pará e vice-versa). Me senti num navio no meio do oceano. A maior parte, do trecho atalhado, é deserto. Quem arrisca entrar conta com a sorte, já que há pouquíssimas casas e uma beeeem distante da outra. Sinal de telefone, nem em pensamento. É um caminho que poderia sim ser “aquele atalho que a gente faz para chegar mais cedo ao outro lado”, mas que por conta da precariedade, é apenas mais uma estrada do Pará, que coloca em risco a vida de muita gente. É mais um sonho que vem se tornando pesadelo, por conta de um abandono sem fim.


Era para ser menos 200 km de Uruará a Hidrelétrica de Curuá-Una. Como disse: Era...uma vez!


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