sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Peixes migratórios serão monitorados por ribeirinhos com aplicativo de celular

Primeira oficina prática será realizada no dia 6, no Mercadão 2000. Após as orientações teóricas, participantes farão testes com o aparelho celular nos peixes vendidos na feira


O Ictio – 'peixe' no grego - é um aplicativo desenvolvido para o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Por meio dele, voluntários poderão registrar informações sobre peixes migradores nas comunidades Aracampina e Solimões. Para experimentar o App, os pescadores, alunos do ensino fundamental e médio das escolas dessas regiões e professores da rede municipal vão participar de uma oficina, na próxima segunda-feira (6), em Santarém, no oeste do Pará.

O primeiro teste será feito com os peixes já capturados e a venda no Mercadão 2 mil. Posicionados, os aparelhos irão identificar através do Ictio a espécie, tamanho, peso e local de captura. Na prática, os envolvidos irão adicionar ao App durante a pescaria essas informações que serão lançadas em um sistema geral, para análise e cruzamento de dados.

O projeto faz parte das ações do Projeto Ciência Cidadã para a Amazônia que conta com a integração de professores e alunos para monitorar a diversidade de peixes capturados pelos pescadores das comunidades. O monitoramento acontece também nos países: Peru, Colombia, Bolivia e Brasil.

E porque é importante registrar essas informações? A coordenadora de aplicação do projeto e professora da Universidade Federal do Oeste do Pará - Socorro Pena explica:“Aqui na Amazônia brasileira, região de Tefé, Porto Velho e Santarém são regiões de grande potencial de espécies migratórias. Então as equipes de pesquisadores da WCS selecionaram 20 espécies que devem ser monitoradas com esse aplicativo a gente vai ter a possibilidade de além de utilizar uma inovação tecnológica no processo educativo, fazer eles conhecerem as espécies de peixes migratórios, o que eles representam na economia, na segurança alimentar e no sentido de sensibilizá-los da importância de fazer manejo dos recursos pesqueiros”- destaca.


O projeto é fruto de parceria entre Sapopema, Ufopa, Saúde e Alegria e WCS. Com apoio de técnicos, a qualidade da água nos locais de captura também será inspecionada.

Algumas espécies que serão monitoradas viajam milhares de quilômetros e passam por várias regiões distintas. O biólogo da Sapopema - Fábio Sarmento ressalta a necessidade de entender essa trajetória: “A coleta de dados dos locais aonde eles são encontrados é importante pra gente verificar se está tendo algum processo que está impedindo essa migração. É nesse processo que ocorre a reprodução. Elas migram pra se reproduzir, no caso especifico da Piramutaba ela migra da foz no sentido inverso da dourada, vem dos Andes, passa por Santarém e Óbidos”- diz.

O programa no celular irá responder por exemplo como a dourada que faz aquela viagem toda que vem desde os Andes tem se comportado nos rios. Apesar dos diferentes jeitos de pescar, o que todo mundo pode fazer igual é registrar, fazer lista de pesca, quantidade, tipo e adicionar fotos e fazer comentários.

Participantes

Foram selecionadas para participar do programa as comunidades Aracampina localizada na Ilha de Ituqui, na margem direita do Rio Amazonas e Indígena de Solimões -margem esquerda do Rio Tapajós na Reserva Extrativista Tapajós/Arapiuns.

Incentivar o engajamento de jovens e moradores no monitoramento dos recursos pesqueiros da região e ajudar a formar uma nova geração de lideranças comunitárias comprometidas com a conservação dos recursos pesqueiros são os principais objetivos do projeto que retoma a educação ambiental nas escolas das comunidades de várzea através de parceria entre a SEDUC e ONG local.

Aracampina - Projeto de Assentamento Ituqui (PAE-Ituqui). É uma comunidade de 260 habitantes, localizada às margens do rio Amazonas, no Município de Santarém. Estão presente na comunidade de Aracampina 16 lagos, e 3 igarapés, sendo todos eles utilizados para pesca comercial e subsistência. As principais espécies capturada nos lagos inclui Pacu (Piaractusmesopotamicus), Acara-açu (Astronotuscrassipinnis), Acari (Liposarcuspardalis) Tucunaré (Cichlaspp), Mapará (Hipophthalmus spp.) Aruanã (Osteoglossumbicirrhosum), Aracu (Leporinusfreiderici), Pescada (Plagioscionspp), Tambaqui (Colossomamacropomum) e fura-calça (Pimelodinaflavipinnis). No Rio Amazonas as espécies mais pescadas são Filhote (Brachyplatystomafilamentosum) e Dourada (Brachyplathystomaflavicans).

Na comunidade de Aracampina existe acordo de pesca em vigor para todos os corpos hídricos, com exceção do rio Amazonas. Os comunitários não pretendem que essa seja modificada, mas que medidas de conservação dos recursos continuem sendo adotadas para os lagos e igarapé, e que se estendam também para o rio Amazonas, onde ainda não existem acordos comunitários que regulam a forma de captura dos peixes. O confinamento dos animais em maromba, comum em alguns municípios do Baixo Amazonas, é utilizado somente por alguns criadores da comunidade de Aracampina, de março a julho, período que pode ser alterado dependendo da enchente e da vazante do rio Amazonas.

Fonte: Ascom/Sapopema
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