domingo, 12 de agosto de 2018

Pirarucu ‘verde’ é aposta de pescadores para melhorar a rentabilidade do manejo na várzea

A partir de capacitações feitas pelo Sebrae e Sapopema, moradores das comunidades Santa Maria, Tapará Miri e Pixuna vão poder melhorar a manipulação de alimentos, gestão financeira, produção sustentável e geração de negócios. Selo ‘verde’ indicará a importância do manejo para a conservação do recurso pesqueiro



Iniciar um novo ciclo de mais oportunidade e maior renda. “Um ciclo que trará um retorno que é merecido” disse o gerente regional do Sebrae em Santarém - Michell Martins que participou do primeiro encontro oficial entre consultores e pescadores realizado na última sexta-feira (10) na comunidade Santa Maria – região do Baixo Amazonas.

O projeto de cadeia produtiva do pirarucu manejado tem a intenção de despertar o espírito empreendedor dos moradores das comunidades Santa Maria, Tapará Miri e Pixuna para a prática sustentável e rentável do manejo do pirarucu na região.

A responsabilidade do Sebrae em Santarém é capacitar os pescadores para o fornecimento do peixe de grande valor comercial para pessoas jurídicas com finalidade de melhorar a prática comercial dos moradores. A capacitação vai poder fornecer novos conhecimentos aos ribeirinhos com noções de mercado, comercialização, precificação e conhecimento de custo. “A sustentabilidade é um diferencial e precisamos transformar essa sustentabilidade em estratégia. Não deixar que eles comparem o produto deles com outro produto de menor valor” – destaca Martins.



Em levantamento feito pela Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente, os pescadores de Santa Maria relataram a captura de 44 pirarucus em 2017 com arpão e espinhel. O peixe de agregado valor comercial, foi comercializado em média a R$ 12,77 o quilo. Para o pescador da comunidade, Amarildo Sousa – conhecido como Branco: “Não compensa o trabalho que a gente tem” – diz sobre o grande esforço comunitário para manejar a espécie que é vendida ao consumidor final ao preço de R$ 25,00 e R$ 30,00 o quilo da manta.

Mas afinal, qual a diferença entre um pirarucu de cativeiro e um pirarucu manejado? O biólogo da Sapopema, Fábio Sarmento explica: “O peixe de cativeiro não tem a mesma dinâmica. Ele não se locomove da mesma forma que o peixe no lago e a alimentação é diferenciada. Tanto que o de cativeiro tem o preço mais baixo, já que o peixe de manejo é mais saboroso”.

Uma das grandes dificuldades dos moradores que cuidam dos pirarucus nos lagos da região, é quanto ao monitoramento para evitar furtos. Eles se revezam para fiscalizar os locais e evitar que predadores humanos levam os peixes. Ou seja, o alto esforço em vigilâncias, somado a alimentação natural gera um alto custo de produção comparado ao preço comercializado. “O preço está muito baixo. O preço do nosso pescado é inferior ao pescado que vem de outras regiões” – lamenta o presidente da comunidade Santa Maria, Raimundo Neves.

Uma das propostas do projeto é que o peixe de manejo tenha identificação para mostrar que esses pirarucus vêm de áreas com vigilância comunitária, contagem, reuniões com regras de captura. Um selo ‘Verde’ está sendo elaborado para que durante as negociações o comprador saiba da importância do que está comprando.

Estratégia de negócio



O sabor do peixe da região oferece um diferencial frente a peixe da piscicultura. “Por isso, a importância de elaborar o plano de negócio para fortalecer mais um elo da cadeia do pirarucu e como resultado otimizar o esforço do pescador. Para isso, a parceria com o Sebrae fortalece essa iniciativa comunitária” – explicou a consultora da Sapopema, Wandicleia Lopes.

Um ponto importante do processo, é encontrar parceiros comerciais que tenham interesse em comprar o produto dos Pescadores. O primeiro passo é conscientizar a importância da compra sustentável já que o comprador terá um produto diferenciado, que obedece a legislação, é tem todo um cuidado de ter uma produção perene, continua, estabelecer a retirada do tamanho mínimo do pirarucu de um metro e meio.

Uma agenda foi firmada entre os ribeirinhos para que melhorem a produção, mudem a visão com foco no comportamento empreendedor e por fim, aumentem a renda, através da criação de novos canais de comercialização.

Para o Ecólogo e Professor da Universidade da Columbia nos Estados Unidos - Miguel Pinedo vender o peixe processado é uma tarefa difícil. Entretanto: “Se eles vendem com selo, podem competir, mas tem que procurar mercado novo. Usar aplicativo e usar sistema de pedidos” – sugere.

Para isso participarão de oficinas de Empreendedorismo, Manipulação de alimentos, Gestão financeira, Produção sustentável e Geração de negócios.

O que é Manejo?




Manejo é todo e qualquer procedimento que vise assegurar a conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas. (SNUC – Lei 9985 de 18 de julho de 2000)

O princípio de Manejo Sustentado nos diz que: População + Reprodução > Mortalidade Natural + Caça ou Pesca.

Fonte: Sapopema
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