Opinião


Opinião: Pontualidade e honestidade
Por: Pedro Cardoso da Costa*

Os denominados países desenvolvidos firmam os valores para todos os demais. Os ingleses são reconhecidos e admirados pela pontualidade. É comum ouvir-se a expressão “pontualidade britânica”. Os japoneses firmaram-se como os melhores em transformar tudo que for gigante em miniatura. Os americanos em fazerem justiça, especialmente no terreiro alheio. E os brasileiros em darem um jeitinho.

Este arranjo tem por objetivo corrigir o que não se faz bem-feito, ou em tempo certo. Quando se refere a prazo, o que demandaria um mês se realiza no último minuto de um ano. Por isso, faz-se de atropelo e erra-se por demais. Daí vem a necessidade de corrigir, via de regra, de forma a burlar as regras legais e de segurança. Muito raro o jeitinho ajuda. Como regra, é o símbolo maior do atraso deste país.

Como nada ocorre por acaso, essa conduta nacional se firmou por ser valorizada em alguns setores sociais. Por muito tempo o malandro do samba carioca foi enaltecido. Morava em bairros pobres, fumava e bebia muito, vestia-se de branco, usava chapéu e, de quebra, era o verdadeiro gigolô de mulheres ricas.

No futebol também se cultua em demasia a malandragem. Os comentaristas entusiasmam-se com as artimanhas. Jogadores que simulam sofrer faltas penais e fingem sofrer agressões para forçarem a expulsão dos adversários. Não são válidos dribles para enganarem os adversários. São artifícios para levarem vantagens indevidas, coroadas com uma mensagem do ex-jogador Gérson para se levar vantagem em tudo.

Esse comportamento desleal generalizou-se e passou a integrar às atitudes do dia-a-dia dos cidadãos como sinônimo de inteligência e criatividade.

Quem trabalha em empresa ou tem profissão que permite andar em ônibus sem pagar, nunca mais banca suas passagens, mesmo depois de perder esse direito. Usa o uniforme, o crachá, dá a famosa carteirada. Procedimento que se repete na entrada em cinema, em teatro, em jogo de futebol, com a famosa meia-entrada.

Nas grandes cidades é comum o motorista permitir a venda no interior dos ônibus em troca de um salgadinho ou doce jogado, rápida e de forma despretensiosa, depois da descida do ambulante. Isso é corrupção dissimulada, pois sem a troca, sua entrada não seria permitida. Por essas e outras, advogados brasileiros não fazem defesas da justa pena, mas da impunidade, mesmo conhecedores da culpabilidade de seus clientes, similar à defesa feita pelos procuradores dos mensaleiros de que seus clientes “só” praticaram o caixa dois, numa alusão espantosa de crime menor.

Com tantos desvios de conduta, cobra-se ética de parlamentares e de políticos em geral, que deve mesmo ser cobrada, mas a ética tem que fazer parte de todos os atos da vida das pessoas, sem exceção. Essas condutas devem ser reprovadas por serem desonestas e prejudiciais à nação. Glamourizar esses desvios de conduta confunde e distorce os valores éticos de um povo, que define como um “jeca” quem defende a honradez e pontualidade.

*É Bacharel em direito
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A cheia e a omissão do Poder Público

Todo ano, os comerciantes santarenos sofrem com a cheia do rio Tapajós. Donos de estabelecimentos comerciais localizados na avenida Tapajós, Lameira Bittencourt e ruas adjacentes sempre amargam prejuízos nesta época do ano por causa do avanço das águas, que inundam lojas e estragam mercadorias. E a exemplo dos anos anteriores, a Prefeitura deixa sempre para a última hora para providenciar algum tipo de ação que possa ajudar a evitar maiores estragos à classe comercial de Santarém. Este ano não foi diferente. As medidas paliativas, que em alguns casos chegam a ser até ineficientes, só foram tomadas quando as águas já estavam cobrindo parte do leito da avenida Tapajós. Os lojistas reclamam e com razão da leniência do governo municipal, pois as ações preventivas chegam muito tarde, quando já não é possível fazer mais nada para evitar os estragos causados pela cheia.

E os empresários se queixam com razão, uma vez que durante o verão não se vê nenhuma movimentação naquela área por parte da Prefeitura para antecipar medidas definitivas que possam amenizar o drama vivido todos os anos pelos comerciantes locais. Enquanto o Poder Público não se interessar em melhorar o sistema de drenagem do município, sobretudo na área do comércio, os prejuízos continuarão afetando este importante setor da economia santarena. A cheia não provoca danos apenas no bolso dos lojistas, afeta também os empregados no comércio. As demissões neste período ocorrem com naturalidade, pois devido a queda nas vendas a mão de obra se torna desnecessária. A negligência do governo, portanto, não afeta somente os empresários, mas os trabalhadores e suas famílias.

Se com aqueles que contribuem com o desenvolvimento econômico do município, geram emprego e renda para a cidade a Prefeitura trata com total vilipêndio, o que dizer das pessoas que moram nas áreas da periferia, onde inverno castiga severamente e causa estragos incalculáveis às famílias carentes?

A ausência e descaso do Poder Público são fatores que contribuem para que a população seja bastante prejudicada durante a época do inverno. Ano que vem começa tudo de novo.



A doença do político 

José de Souza Júnior* 

O ciclo político que vivemos talvez esteja com alguma doença, e doença genética, ou ainda, é completamente maquiavélico em suas ações. Porque vive liberado para temporada de corrupção. Na filosofia política de Maquiavel o que importa é o poder. O político, segundo o filósofo, tem que lutar para chegar ao poder e continuar lutando para permanecer no poder. E na América Latina que possui toda uma peculiaridade política possui uma trajetória bem distinta. Digo ao remeter o pensamento europeu. Aqui temos o nosso populismo. No Brasil, o populismo começou lá no início do século passado, antes mesmo de Getúlio Vargas. E sendo aperfeiçoado com o próprio Getúlio Vargas. O populismo ainda existe dentro da política. Mas por quê? Será que não temos cidadania? A população é acomodada? Os eleitores vêem o tema político com desprezo? Ou temos necessidade de um pai dos pobres?

A figura do político brasileiro deixou de ser de um doutor em muitas partes do país. Hoje os doutores estão esquecidos no anonimato. Um Tiririca que leva mais de um milhão de votos apresenta a verdadeira identidade de qual candidato precisamos. A identidade de ser um ex-jogador ou artista, sobretudo falidos. Aos partidos, o exemplo Tiririca puxa votos. Ao Congresso, o exemplo Tiririca puxa o silêncio da ignorância parlamentar. Aos eleitores, felizes no primeiro momento (da eleição) de fazer parte da massa votante no mesmo nome, e nostálgicos no segundo momento – a existência do mandato niilista por alguém não capacitado para tal função de representação democrática.

Ao levar em consideração o pensamento de Maquiavel, a leitura política teórica descreve grandes atos para manter a popularidade eleitoral. O Hugo Chaves com o câncer levou a sensibilidade eleitoral e o pensamento de uma futura reeleição. Com Mario Covas, José Alencar e até mesmo Dilma Rousseff – a quem diga que Dilma não esteve doente –, a doença não foi tão mal assim. A doença comoveu a população. Sobretudo o discurso de que foi curado e irá dar a volta por cima. Por outro lado, o presidente Lula que de seguidas derrotas eleitorais e seguida reeleição, não possui mais a vontade de vencer o impossível. Agora é imbatível. Com o câncer que nem a ciência é capaz, o simples sindicalista vai conseguir tal façanha.

Depreendo que a primeira vitória do presidente Lula será a conquista da prefeitura de São Paulo em 2012. Contudo, a prefeitura da capital do maior estado do país costuma eleger figuras bizarras e partidos diversificados. O governo do estado pode ser conservador (PSDB desde o retorno da democracia), e a prefeitura bem eclética. Os candidatos para 2012 são nomes de pesos. Nada melhor que uma sensibilização. Por fim, o fato de colocar o PT na prefeitura de São Paulo não será nenhum grande desafio para o presidente Lula, poderá haver pedras nesse caminho político; assim como o presidente Lula ser eleito em 2014. Agora colocar o PT no governo de São Paulo, isso sim é impossível para ele. Talvez, quem sabe, uma ressurreição de Lula dê aparatos suficientes para o PT governar o estado de São Paulo.

É articulista do blog
js_junior@yahoo.com.br



Saúde pública é coisa séria!*

Quando decidiu tornar público o resultado de uma inspeção sanitária feita sob sua coordenação em clínicas e hospitais particulares de Santarém, a médica Nástia Irina de Sousa Santos não pensou que essa decisão abalaria de forma abissal a estrutura da administração pública do município. Movida pela ética profissional e zelo pela saúde da população, a Dra. Nástia pensou unicamente no bem estar da sociedade. Sua coragem resultou em perseguição, retaliações, intimidações e ameaças, além de lhe causar constrangimento público. Em nenhum momento, a médica buscou promoção pessoal ao levar ao conhecimento da imprensa os relatórios que apontaram falhas gravíssimas nestas unidades de saúde. Ela fez a coisa certa. Aliás, certíssima. Estamos falando de saúde pública, de clínicas e hospitais que recebem dinheiro e medicamentos do SUS e que deveriam também zelar pelo bem maior, que é a saúde de seus pacientes.

O que chama a atenção neste caso é o fato de somente agora uma inspeção da Divisão de Vigilância Sanitária ter tido tanta repercussão. Vale ressaltar que a divulgação pela imprensa só foi possível graças ao trabalho de alguns jornalistas que conseguiram obter com exclusividade cópias desses relatórios. Não fosse isso e a coragem da médica, certamente que tudo estaria na mais perfeita ordem e esses estabelecimentos continuariam funcionando de forma irregular, colocando em perigo iminente a vida de pessoas inocentes. Na verdade, ainda estão, pois não houve nenhuma ação mais enérgica por parte do Poder Executivo em interditar essas unidades conforme sugeriu a Divisa em seus relatórios de inspeção sanitária.

O trabalho feito pela equipe de agentes da Vigilância Sanitária não pode ser ofuscado pela leniência do governo municipal que, ao invés de fazer cumprir a lei, buscou perseguir, intimidar e agir com truculência contra a única pessoa que teve coragem de mostrar as irregularidades gravíssimas da saúde pública em Santarém. O governo petista tentou jogar toda a sujeira encontrada pela Divisa de volta para debaixo do tapete como há anos vinha sendo feito. Cabe ao Ministério Público Estadual apurar todas as denúncias. Do Poder Executivo, infelizmente, não se pode esperar muita coisa.

A população, diante de tudo o que lhe foi repassado por meio da imprensa, também deve fazer a sua parte e denunciar toda e qualquer irregularidade que porventura venha encontrar em clínicas e hospitais, sejam eles públicos ou privados. Com saúde, não se brinca.

*Da Redação

Representatividade*

Os legisladores santarenos estão prestes a aprovar uma emenda à Lei Orgânica do município que acrescenta sete novos assentos na Câmara de Santarém, já a partir da eleição do próximo ano. A próxima legislatura, portanto, terá 21 novos vereadores. E qual será o benefício que o aumento de vagas no Poder Legislativo trará à população santarena? Em termos práticos, nenhum. Mas no campo político, há desejos muito particulares e semelhantes entre governistas e oposição para que as bancadas sejam ampliadas. Não é a quantidade que há de ser discutida neste momento, mas a qualidade dos nossos representantes no exercício de seu papel parlamentar. Os interesses pelas novas vagas se limitam aos anseios dos próprios atuais vereadores e também dos pretensos futuros candidatos ao cargo de vereador no pleito que se avizinha.

Espera-se que, ao aprovarem a criação de novas vagas, os parlamentares tenham a consciência de que estarão ampliando o número de representantes do povo na Câmara Municipal e não, apenas, atendendo aos seus caprichos e acordos políticos. Nesta atual legislatura, por exemplo, percebemos que nossos representantes não corresponderam aos anseios da população. Diante de casos gritantes na administração pública, muitos deles esqueceram o princípio de suas funções: discutir questões locais e fiscalizar o ato do Executivo Municipal (Prefeito) com relação à administração e gastos do orçamento; trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população; elaboração leis de interesse público; atendimento ao povo, observando suas reivindicações; exercer sua função de mediador entre os habitantes e o prefeito (a). Também é sua atribuição, a elaboração da Lei Orgânica do Município, que contém uma série de medidas para proporcionar melhorias para a população local. O prefeito (a) deve cumprir a Lei Orgânica. O vereador fiscaliza o cumprimento da lei pelo Executivo.

Portanto, precisamos de vereadores comprometidos com os interesses da coletividade, que, independente de sua sigla partidária, honre seu mandato, dado pelo povo, e cumpra sua função como ela exige em sua essência. Quantidade não é sinônimo de qualidade.

*Da Redação
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Insegurança*

A morte do taxista José Maria Sampaio causou consternação e imensa revolta na sociedade santarena esta semana. Ainda hoje nos perguntamos sobre o porquê de tanta brutalidade contra um senhor de 62 anos, que passou mais da metade de sua vida trabalhando como motorista de táxi e que nunca fez mal a ninguém. 

Diante de tantas incertezas que rondam este crime e também da falta de segurança que assola a nossa cidade chegamos a conclusão de que nos dias atuais os bandidos não precisam de motivos para tirar a vida de um inocente. Basta que sejamos apenas mais uma vítima desses criminosos. A covardia é a principal arma usada pelos bandidos. 

Mesmo seguindo todas as orientações da polícia sobre não reagir a assaltos ou qualquer outro tipo de crime, ficamos expostos à frieza desses marginais, que espalham o terror dia e noite em nosso município. O clima de insegurança é total. Falta mais policiamento nas ruas e mais respeito do cidadão com a vida humana.

Esta semana, segundo os registros policiais, ocorreram pelo menos três homicídios e todos com uma dosagem de brutalidade exagerada. Diante desta onda assustadora de violência, o cidadão de bem clama por socorro, porém, as autoridades policiais se fazem de surdas quando o assunto é a segurança pública. Somos refém de um Estado que não nos garante proteção e nos atira impiedosamente às covas dos leões vorazes. 

Até quando viveremos assim, amedrontados? Até quando essa incerteza de sair de casa e não voltar com vida nos perseguirá? Até quando poderemos confiar na polícia e ter a convicção de que nossas vidas estarão seguras com esses homens por perto? O crime atroz cometido contra o taxista José Maria Sampaio ligou o sinal verde do elevado nível de violência que percorre as ruas de Santarém. Qualquer um de nós pode ser a próxima vítima dessa corja de bandidos que nos faz chorar dia após dia a morte de um ente querido.

É dever da polícia garantir proteção aos cidadãos. É dever da polícia também retirar das ruas indivíduos nocivos à sociedade e manter a ordem pública. As autoridades precisam agir e tomar a rédea da situação, do contrário, todos seremos vítimas de algum tipo de violência um dia. 

É hora de dar um basta na criminalidade de maneira mais severa, pois daqui a pouco, não veremos apenas taxistas e cidadãos de bem serem mortos por bandidos. Juízes, delegados, coronéis, promotores e prefeitos morrem todos os dias em cidades onde a violência fugiu ao controle. 

Mesmo diante de tantas barbáries, comparada aos grandes centros, Santarém ainda é uma cidade pacata e segura para se viver. Mas até quando?

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Vem chegando o verão...

Nos meses em que o município sofreu com o inverno rigoroso, a falta de atitude da Prefeitura em promover melhorias na parte de infraestrutura da cidade era até compreensível. Por um longo período, o povo sofreu com as enxurradas, alagamentos e com a leniência de um governo que sempre se escondeu atrás das intempéries da natureza para justificar sua incompetência e não executou, nas épocas propícias, serviços que ajudassem amenizar o drama dos moradores, sobretudo de quem vive em áreas sem nenhum tipo de saneamento básico ou rede de drenagem. 

Pois bem. Passada a estação das chuvas, o sol de rachar dá sinal de que pretende contribuir com o Poder Executivo, possibilitando dias ensolarados para a execução de serviços de recuperação de ruas, pavimentação asfáltica, tapa-buracos e outros trabalhos inerentes à infraestrutura. Equipes da Seminf estão espalhadas pela cidade desenvolvendo vários tipos de ações, porém, ainda é tímida essa atuação da Prefeitura, que tanto culpou o tempo pela ausência de investimentos neste setor precário, que causa transtornos e prejuízos à população.

No final de semana passado, os moradores dos bairros Aeroporto Velho e Esperança decidiram interditar algumas das principais ruas dessas comunidades em protesto ao descaso do governo municipal em recuperar a malha viária do município. Vias públicas recém-construídas pela Prefeitura estão totalmente intrafegáveis. Muitas dessas ruas foram destruídas pela ação da natureza, pois não suportaram o volume de água durante o inverno rigoroso, além disso, a péssima qualidade do material usado nessas obras contribuiu para que elas se esfarelassem com brevidade. O dinheiro público foi, literalmente, pelo o ralo.

A revolta dos populares é justa, pois não se pode aceitar calmamente que a coisa pública seja tratada com tamanha irresponsabilidade.

O momento exige maior empenho das pessoas que comandam a Prefeitura, já que depois que passar o verão Amazônico, nenhuma desculpa esfarrapada será aceita assim tão facilmente pela população. A prefeita Maria do Carmo, principal culpada pelo estado de abandono em que se encontra o município, precisa honrar a confiança nela depositada nas duas eleições, e cumprir, nos dias que ainda lhe restam, tudo o que prometem em campanha. É bom que o faça logo, pois daqui a pouco começa chover de novo.


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Festa estranha*

Na semana passada, a prefeita Maria do Carmo Martins anunciou a programação oficial do aniversário de Santarém, que este ano completa históricos 350 anos. Uma data que deveria ser motivo de orgulho para todo povo santareno. Seria não fosse pelo simples fato de a população não ter motivo para comemorar.

O município encontra-se em frangalhos em sua infraestrutura, com ruas tomadas por buracos, intransitáveis, invadidas por matos e lixo. A própria gestora, em sua alegação sobre a não contratação de artistas de renome nacional para abrilhantar a festa, disse que os recursos são poucos e que deverão ser mais bem aproveitados, sobretudo no investimento de recuperação de vias públicas deterioradas. 

Portanto, a presença dos artistas da terra, como sempre se questionou em edições anteriores da festa natalícia do município, será maciça, não que este governo valorize a prata da casa, mas pela necessidade financeira de arcar com os custos astronômicos na contratação dos cantores 'importados', que neste momento não são tão vultosos assim.

Outro motivo para justificar a ausência das 'estrelas' na festa popular organizada pelos petistas é a tentativa de evitar constrangimento à prefeita e não expô-la ao ridículo, já que Maria está com sua popularidade arrastando nos níveis mais baixos desde que assumiu a Prefeitura. Certamente ela seria alvo de protestos de grande parte do público insatisfeita com sua gestão. Maria do Carmo colhe os louros de uma gestão marcada pela incompetência generalizada de seu governo, que nos últimos dois anos serviu apenas para acomodar interesses de aliados e o seu próprio.

Ao contrário de outras festas esta também não terá inaugurações de grandes obras. Em 2010, mesmo depois de muito tempo, Maria conseguiu entregar o Restaurante Popular e a Feira do Peixe, além de algumas vias pavimentadas. Este ano, a entrega de medalhas a ilustres personalidades (outras nem tanto) será o ponto alto desta programação improvisada. Resta a prefeita se apegar à luta pela criação do Estado do Tapajós e assim quem sabe apagar da memória da população o fiasco que está sendo sua administração.

*Da redação
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Novos Estados: o Pará já está dividido, e por dentro, infelizmente! 
Manuel Dutra*
Se tomarmos o fato de que os embates por uma divisão territorial, política e administrativa, ou seja, o processo de luta por autonomia política começa muito antes da separação física, de fato, não há nenhum exagero em afirmar que as regiões Sul/Sudeste e Oeste paraenses, isto é, o Tapajós e o Carajás, já se acham relativamente separados da união composta pelo Estado do Pará.

Em fevereiro estive em Marabá, Tucuruí, Breu Branco e Jacundá e, nesses municípios do pretendido Estado do Carajás, já existe um fumo relativamente forte, se não como movimento organizado em prol da separação, mas de indiferença em relação ao grande Estado. Daquela região as pessoas ligam-se, cultural e afetivamente, mais ao Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Piauí e Minas.

As cidades mais procuradas, por exemplo, para tratamento médico especializado, são Arguaína, Palmas, Goiânia, e cidades maranhenses e piauienses. Para Belém, em comparação, as viagens são raras, tal como se vê nas placas e horários de saídas de ônibus nas duas estações rodoviárias de Marabá (foto acima).

Nesta cidade, eu ouvi a expressão "vocês, do Pará", indicativo de um estado de ânimo ainda difuso e que, se trabalhado com competência por lideranças sociais e políticas, pode incendiar os ânimos e catalisar o ímpeto separatista.

No Oeste, onde estive em Santarém semana passada, realizou-se um grande encontro de lideranças políticas, empresariais e de movimentos sociais (novidade: os movimentos sociais e ONGs estão entrando na luta). Havia políticos de diversos municípios da região, representantes do Sul/Sudeste do Pará e de Manaus. Esta cidade amazonense tem particular interesse na criação do Tapajós.

Os empresários e os políticos de lá imaginam que, com a autonomia, a BR-163 seria logo viabilizada economicamente, com asfalto em todo o percurso, dando vazão às exportações da Zona Franca de Manaus com mais rapidez em direção ao centro/sul do País. E a preços incomparavelmente mais competitivos do que descer o rio Amazonas até Belém e tomar e Belém-Brasília.

Mas não é disto que falo. Penso mais naquela expressão "vocês, lá do Pará" e de outra, que ouvi em Santarém, de um engenheiro agrônomo: "Eu e muita gente aqui queremos mostrar aos nossos irmãos de Belém, e de outras regiões, que nós não somos paraenses".

Esta é a separação já existente, por dentro. Quem nasceu e se criou em Belém e nas regiões mais próximas à capital, e não conhece nem o Sul nem o Oeste do Pará, não tem idéia dessa velha aspiração. Imaginam que se trata, apenas, de ação aventureira. Esta existe em todo e qualquer movimento político e social, mas não se pode desconhecer que a autonomia político-administrativa enraíza-se no povo, faz parte da cultura de gerações.

Dessa forma, o Pará já se acha dividido. O que o plebiscito revelar, seja o sim, seja o não, essa realidade não só permanecerá como, em qualquer das duas opções, se aprofundará. Uma possibilidade que deveria fazer refletirem as lideranças maiores do Pará e daquelas duas regiões. Afinal, não se leva a campo uma luta dessa magnitude pensando apenas dentro de gabinetes. Por que não vão às ruas, ouvir o povo de lá e de cá, antes do plebiscito?

Uma dura situação está posta: se houver plebiscito, seu resultado trará graves consequências, grave aqui não apenas no sentido negativo, mas a gravidade de prováveis novas soluções para velhos problemas. Se não houver plebiscito, a frustração de uma imanesa parte da população do Pará crescerá. Se correr o bicho pega, se ficar... Há lideranças para levar em conta estas possibilidades? (Duvido!)


*É jornalista
  

O bêbado e o equilibrista*

Não. Este artigo não trata daquela famosa música do João Bosco e do Aldir Blanc. Ele fala de uma característica que se tornou típica para motoristas e pedestres santarenos que utilizam as vias públicas de Santarém nos últimos anos. Quando a gente vê um veículo trafegando em ziguezague pelas ruas da cidade logo imagina que o seu condutor está embriagado ou coisa assim. Ledo engano. 

Na atual circunstância do setor de infraestrutura da cidade, o motorista precisa ser ágil e ter cautela ao trafegar pelas buraqueiras, tentando causar menos danos possíveis ao seu veículo, apesar do risco que ele oferece aos pedestres, pois ao tentar desviar de um buraco, o motorista ou avança a preferencial ou é obrigado andar pela contramão, aumentando as chances de causar um grave acidente. Os buracos não são, portanto, apenas um problema de infraestrutura. Eles se tornaram também uma ameaça para o setor de trânsito e para o sistema viário de um modo geral. Um problema de segurança pública.

Situação não menos preocupante vive os pedestres, que andam pelas ruas tentando se esquivar dos buracos, temendo cair numa poça de lama ou sofrer algum tipo de acidente. Por causa da imensa quantidade de buracos surgidos nas vias públicas, as pessoas aprenderam a arte do equilíbrio para transitar sem riscos por sobre o leito de ruas mal conservadas e totalmente destruídas pela ação da natureza e, sobretudo, pela omissão do Poder Executivo, que não mostra a mínima preocupação em resolver esse grave problema. 

De acordo com dados estatísticos dos órgãos de trânsitos do município, no ano passado, o índice de acidentes ocorridos nas ruas de Santarém foi alarmante. Pelo que noticiou a imprensa local, grande parte dos atropelamentos e mortes foi provocada por causa da precariedade das nossas ruas. Em alguns casos, a imprudência dos condutores foi só um mais fator atenuante para a causa de muitos acidentes ocorridos no município nesses últimos meses. Mas os buracos, certamente, contribuíram de forma relevante para as mortes e mutilações de motoristas, ciclistas e pedestres.

Para piorar ainda mais esse cenário desolador, a maioria das ruas consumidas por enormes buracos não tem iluminação pública, oferecendo riscos ainda maiores para ‘bêbados’ e ‘equilibristas’.

O objetivo deste artigo é alertar aos órgãos responsáveis de que a situação precária pela qual passa o setor de infraestrutura do município é ameaçador à vida dos cidadãos, que pagam seus impostos e não recebem em troca investimentos na recuperação das vias públicas.

E como diz aquela velha canção: “Chora a nossa pátria mãe gentil/Choram marias e clarisses no solo do Brasil/Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente /A esperança dança na corda bamba de sombrinha/E em cada passo dessa linha pode se machucar”...

* Marcos Santos
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O povo insatisfeito*

A insatisfação popular em relação ao governo da prefeita Maria do Carmo Martins é notória e generalizada. E motivos para isso não faltam, é claro. A gestora municipal tornou-se uma pessoa que causa ojeriza ao povo. Ninguém mais acredita nela e nem nas pessoas que a cercam, sobretudo em seus secretários, assessores, aliados, bajuladores e afins. O grupo liderado por Maria do Carmo conseguiu um feito que poucos políticos alcançaram nos últimos anos: a reprovação total do governo pela sociedade santarena.

Para medir o grau de popularidade da prefeita, o Jornal Tribuna do Tapajós percorreu vários bairros da cidade e consultou representantes de alguns segmentos sobre a gestão petista e quais setores são mais severamente criticados pelo povo. Taxistas, mototaxistas, comerciantes e associações de moradores, que servem de termômetro para avaliar o desempenho do governo, colaboraram também para fundamentar esse levantamento, que apontou a precariedade das ruas da cidade como o principal motivo pela descrença da população no governo Maria. A população é alvo de um mal comum: os buracos. Isso é fato. E um fato bastante revoltante.

A maioria das pessoas se queixa da falta de manutenção das vias públicas e culpa a prefeita Maria do Carmo pelo estado de abandono das ruas da cidade. Taxistas e mototaxistas consultados pela reportagem foram categóricos e, de forma desapaixonada, informaram que a indignação do povo com o governo municipal é unânime. Até quem votou em Maria, hoje não vê a hora de chegar ao fim o seu mandato.

Por tudo o que deixou de fazer, a prefeita mostrou que não tem competência para administrar Santarém. De certo que em seu primeiro mandato, a cidade acolheu inúmeras importantes obras, projetos e programas sociais, garantindo melhorias em alguns setores, sobretudo no campo social. No segundo governo, no entanto, Maria não apresentou o mesmo desempenho e virou motivo de chacota e piadas por grande parte da população, que padece de melhorias e respeito. O povo silencia até onde suporta. Mas logo, logo, soltará seu grito de liberdade e justiça!

*Da redação

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Maria, por favor, pede pra sair!* 

O cenário de caos que se abateu sobre a cidade de Santarém nos últimos meses é preocupante. A negligência administrativa tem causado inúmeros transtornos, prejuízos e revolta na população santarena, sobretudo em quem reside em bairros carentes de infraestrutura, saneamento básico e iluminação pública. O clima é de incerteza diante da omissão do governo municipal, que se faz indiferente ante a dor do povo humilde e desprovido de recursos. Neste período de chuvas intensas, dezenas de famílias padecem em meio à precariedade dos bairros, que não suportam tanto volume de água e lama. A Prefeitura que deveria assumir sua responsabilidade promovendo o bem estar da população, neste caso, não o faz e tornou-se aliada das intempéries da natureza, dando contribuição de forma relevante quando constrói obras inacabadas ou mal feitas, causando estragos imprevisíveis, aumentando ainda mais o sofrimento de pessoas carentes.

No domingo de páscoa, por exemplo, dezenas de moradores do bairro do Mapiri, voltaram a conviver com alagamentos, lama e lixo, provenientes de uma forte chuva. O que mais revoltou as famílias foi o fato de que no local mais afetado pelos alagamentos, a Prefeitura, por meio de uma construtora responsável por inúmeras obras inacabadas no município e possivelmente envolvida em fraudes em licitação como apontou a Controladoria Geral da União (CGU), no mês de julho do ano passado, ter iniciado a construção de um muro de contenção na orla daquela área para justamente evitar o avanço das águas sobre às residências. A obra em nada contribuiu para amenizar o drama daquelas famílias, ao contrário, causou ainda mais sofrimento e estragos, permitindo que a água se avolumasse e adentrasse nos imóveis de madeira, destruindo tudo o que encontrava pela frente.

O sentimento de revolta desde então é predominante entre os moradores. Eles estão indignados com o silêncio ensurdecer da prefeita Maria do Carmo Martins, que há muito tempo se exime de seu papel de gestora e não ampara o povo o qual a elegeu.

Maria precisa ter noção de sua responsabilidade. Fugir não é o melhor caminho para quem sempre se autodenominou ‘mãe do povo’. Uma mãe não desampara seu filho, não o deixa ao relento e nem o maltrata covardemente.

Prefeita, se a senhora não tem mais competência para cuidar de Santarém, peça para sair, passe o bastão, jogue a toalha, desista, renuncie, só não continue causando tanta dor e sofrimento em quem um dia acreditou que votando na senhora, a situação seria bem melhor e menos vilipendiosa.

*Marcos Santos
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O presente de Maria para Santarém* 

Durante a programação de aniversário de Santarém, que celebrará 350 anos no mês de junho, a prefeita Maria do Carmo Martins será uma daquelas anfitriãs nada satisfeita com os atrativos a serem ofertados aos seus convidados para a festa. De uns tempos pra cá, a gestora municipal tem se esforçado e muito para incluir no calendário festivo alguma obra que possa inaugurar e assim apagar a imagem de desmazelo que paira sobre sua administração. Todo esforço tem sido em vão, pobrezinha!

Como uma mãe desprovida de recursos para fazer uma bonita festa para o filho, Maria corre da sala para a cozinha tentando arrumar uma maneira de presentear o povo santareno com algo que seja palpável aos olhos do eleitor, já que ano que vem teremos eleições municipais e o candidato oficial do governo certamente sofrerá por conta do desleixo da companheira. Para a prefeita, pior que não ter obras para inaugurar durante a data mais importante do município é ver o seu prestigio junto à população crescer como rabo de cavalo, ou seja, pra baixo, e quase se arrastando na lama dos buracos de ruas precárias, que se tornaram símbolo de um governo que nos últimos anos tratou com descaso e desprezo o povo sofrido e carente.

Nos 350 anos de Santarém, marco histórico para a nossa cidade, Maria do Carmo bem que poderia presentear as famílias do Porto dos Milagres, no bairro do Uruará, com a entrega do conjunto habitacional construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que há mais de três anos se arrasta sem conclusão.

Outra sugestão para a nossa prefeita ofertar como presente à população seria o asfaltamento de ruas que já receberam recursos públicos, mas que até hoje encontram-se completamente intrafegáveis. Ainda há tempo, porém, ela dificilmente conseguirá alcançar esse feito, já que a Prefeitura não tem dinheiro para comprar asfalto e as usinas que forneciam o produto para o governo estão desativadas.

Diante da falta de opção da nossa gestora em escolher um presente para comemorar os 350 anos da cidade junto com sua gente, resta uma que certamente agradará a gregos e troianos: a renúncia de seu mandato. Em respeito ao povo santareno esse é o caminho que resta a excelentíssima prefeita Maria do Carmo Martins tomar. Trata-se de um gesto nobre, que seria recebido de bom grado e de todo coração pelos moradores de Santarém, que este ano não terão motivos para comemorar.

A Câmara de Vereadores também pode participar diretamente da festa, contribuindo com a oferta do presente à população: o pedido de impeachment da prefeita Maria do Carmo.

*Da Redação
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A tragédia de Realengo*

A tragédia de Realengo, quando um maluco invadiu uma escola armado com dois revólveres e tirou a vida de doze brasileirinhos, emocionou e causou consternação em todo o país. Enquanto os pais enterravam seus filhos mortos no massacre, a grande mídia buscava entender os motivos que levaram Wellington Menezes de Oliveira invadir uma escola e efetuar disparos a esmos, ceifando vidas inocentes. Uma semana após essa tragédia, uma pergunta ainda perturba pais e professores: por que as escolas públicas não oferecem segurança às nossas crianças?

Esse questionamento é apropriado e oportuno neste momento. O que ocorreu em Realengo poderia ter acontecido em qualquer cidade brasileira. E acontece. Só que em proporções não tão trágicas quanto ao caso carioca. Nos arredores dos educandários, sobretudo de bairros pobres, a presença de marginais é constante. Traficantes e viciados aliciam os alunos para o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que impõem insegurança à classe estudantil. Nossas crianças também são vítimas do assédio de pedófilos e homossexuais, que tentam seduzi-los à prostituição infantil. Não bastasse tudo isso, em alguns casos, o ensino ofertado é de péssima qualidade. Escolas depredadas, sujas e mal conservadas acentuam a precariedade do setor.

No Pará, vários são os casos de violência envolvendo estudantes da rede pública, que já foram parar nos noticiários. Em Santarém, por exemplo, existem estabelecimentos de ensino que são alvos das gangues de marginais, que invadem salas de aulas para agredir alunos e professores. A escola Richard Hennington, na Interventoria, é um exemplo da insegurança que assola nossos educandários. Até hoje o Estado não adotou medidas que pudessem tranquilizar professores e estudantes, que continuam vítimas do descaso.

A questão da segurança deve ser tratada com prioridade a partir do massacre de Realengo. O Estado precisa assumir a responsabilidade pela educação de forma mais abrangente, valorizando os profissionais, ofertando salários decentes, evitando as greves desgastantes e prejudiciais ao ensino, e, principalmente oferecendo condições de o aluno estudar com tranquilidade e segurança, sem o risco de ser alvo de um atirador maluco que se tivesse tido a oportunidade de receber ensino de qualidade certamente jamais cometeria atos tão atrozes.

*Da Redação


O TAC do Estádio e a incompetência do PT*

Na semana que antecedeu ao jogo entre São Raimundo e Clube do Remo, pelo campeonato estadual, o palco da partida, o estádio Colosso do Tapajós, correu o risco de ser interditado. Felizmente, naquela ocasião, não houve a interdição. Porém, segundo o secretário de Estado de Obras, Joaquim Passarinho, o local não oferecia condições adequadas para que o jogo fosse realizado. Vale lembrar que os trabalhos que estão sendo realizados, a passos lentíssimos, ressaltem-se, pela Prefeitura de Santarém em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) já deveriam ter sido concluídos pelo governo municipal há muito tempo. Essa demora tem causado inúmeros transtornos tanto para os dirigentes do clube representante do município na competição, quanto para os torcedores e para a própria prefeitura. 
No início desta semana, na terça-feira, no entanto, veio a confirmação: o estádio estava interditado para a realização de qualquer evento, inclusive jogos do Parazão. No mesmo dia, porém, depois de uma intervenção política liderada pelo vice-governador Helenilson Pontes, o Colosso foi novamente liberado, desta vez por ordem do Chefe do Estado, o governador Simão Jatene, que anunciou que o governo estadual se envolveria mais diretamente nessa questão e buscaria cumprir todas as exigências contidas no TAC, evitando novas ameaças de fechamento do estádio.

Observa-se neste caso, a total inoperância, descaso e incompetência do governo Maria, que mesmo tendo recebido os recursos para a construção da arquibancada e outros itens de segurança exigidos pelo MP, não foi capaz de concluir uma obra tão simples. As alegações e desculpas esfarrapadas dadas pela assessora de Esporte e Lazer, Rita Peloso, já não convencem a mais ninguém. Esse estratagema já é comum nesta administração, que inicia obras e as deixas inacabadas, acentuando sua incapacidade em gerir a máquina pública. 
Tem sido assim desde o início do mandato da prefeita Maria do Carmo: PAC Uruará e Mapiri, parque da Vera Paz, Terminal Fluvial e Fernando Guilhon, além de muitas outras obras que têm o símbolo do descaso. E será assim até o fim de seu governo.

Ainda bem que ela não teve que construir um estádio novo, pois se tivesse...
*Da Redação.
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O Rei é Pop
José de Souza Júnior *
Poderia utilizar-me de outro título como: o discurso do rei. Além de ser um filme premiado e em cartaz por algumas salas no Brasil, esse título causaria ciúmes num certo ex-presidente. E por falar em filme que levou Oscar, no ano passado foi: guerra ao terror. Quem sabe seria um bom começo de artigo. Porém, o ciumento da vez nem sabe de minha existência. Talvez nem da sua que lê agora. Assim como não souberam da existência dele nesses dias. Por conseguinte, começo o meu artigo desta semana com ‘o rei é pop’ é de certa forma uma analogia com uma música – de Engenheiros do Hawaii – “o papa é pop”. Que se trata de outra coisa. Possui uma letra musical carregada de reflexões e vem mostrar que começamos a sociedade do pop.

Doravante, o rei pop da vez é Barack Obama. E o “disparo” talvez viesse do ex-presidente Lula. Que é sem dúvida impar na história deste país. Ou seja, quem pensou que no primeiro de janeiro os verbetes, as alucinações gramaticais, as comparações futebolísticas e a falta de coerência acabariam naquele dia, novamente se surpreendeu. De forma incansavelmente comparou seu governo com o anterior e hoje não quer ser comparado com o novo governo. O ex-presidente esteve mais para Colombo ou Cabral, segundo seus desejos. Pensando em sair do poder como Getúlio Vargas. Sempre abrindo a boca para falar diante das câmeras e pegando o passaporte fora delas. Mas, só o tempo irá responder o que foi o governo Lula.

Quando o presidente dos EUA pisou em solo brasileiro, só faltou a ele o tradicional beijo no chão. Com todo respeito, mas vindo dele eu não me espantaria. Por outro lado, alguém deveria estar escondido pensando: esse desejo é meu. E talvez pronto para o “disparo” de mais um verbete. O presidente Obama não descobriu os EUA, o que coube a ele foi redescobrir a internet. O qual tornou-se pop na campanha eleitoral e um governante sem sal no dia-a-dia. Pois, ele buscou mudanças e em período de crise. Logo, é uma ousadia dizer que faz péssima administração. Entretanto, ele foi mais um presidente estadunidense a também perder nas urnas durante seu governo.

No Brasil balbuciou diante dos microfones. Soltou elogios. Recebeu aplausos. Sorriu. Tirou fotos. Por fim, deu uma de um rei visitando a sua colônia queridíssima. E depois vá embora. Hoje quando os EUA é aquele pai no fim da idade que durante a vida toda rejeitou os filhos e, os procura para abraçar. Vem falar de fazer elos. Sobretudo, excitar uma economia que não anda bem das pernas. Agora não sei lhe dizer se vivemos a época de ter presidentes eleitos com quebra de tabus ou a democracia ficou mais democrática. Porém, essas personalidades não antes eleitas são muito boas para falar diante do microfone. Fica aqui uma sugestão de colocar um microfone em seus gabinetes.

Depreendo pensando que para ser eleito é preciso ser pop. Exceto Sarney e Cia ltda. E por falar no presidente do senado, é compreensível porque nosso governo sempre dá méritos a governos de ditaduras. Afinal seria incoerente querer tirar “múmias” de outros tronos enquanto não fazemos o dever de casa. Contudo, a visita de Obama é um marco na história deste país. Um presidente negro subindo a rampa do planalto e uma presidenta ao seu lado, a história e o tempo responderão a atual democracia. Enquanto o presente cria fachadas de pão e circo. De que o social transformou a nação. De que somos os melhores e exemplos para todos. De que somos pop.

*É articulista do blog

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CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DA UFOPA E À SOCIEDADE SANTARENA

Ib Sales Tapajós*
É latente a ausência de democracia na Universidade Federal do Oeste do Pará, desde sua criação oficial, em outubro de 2009. O reitor da UFOPA foi indicado de maneira unilateral pelo Ministro da Educação; não temos até hoje um Conselho Universitário, formado por representantes das três categorias (estudantes, professores e técnicos); todas as decisões importantes são tomadas unicamente pelo Reitor e sua equipe – inclusive a implantação da ‘nova’ estrutura acadêmica, que inclui, dentre outros aspectos, o CFI, bacharelados interdisciplinares e licenciaturas integradas.

Há anos o movimento estudantil e os movimentos sociais vêm tentando dialogar com o corpo dirigente da Universidade, no sentido de instaurar um processo democrático na instituição. Inclusive apresentamos um projeto alternativo para a UFOPA, intitulado “A Universidade que queremos”. Entretanto, a maioria das nossas iniciativas não obteve êxito. A Reitoria é surda aos nossos clamores e, ao invés de abrir espaços públicos de discussão, prefere se pautar em atitudes autoritárias, reprimindo e intimidando os estudantes, professores e funcionários que ousam discordar do projeto (im)posto pelos donos do poder.

É dentro desse contexto que realizamos o ato público do dia 18 de março de 2011, durante a aula magna no Auditório do Hotel Amazônia Boulevard, conforme deliberado na Assembléia geral dos estudantes do dia 17 de março. Nossa principal bandeira levantada na ocasião foi: Democracia/Diretas já! Afinal de contas, a comunidade acadêmica tem o direito de escolher o seu reitor e de decidir qual o modelo acadêmico melhor atende aos seus anseios, dentre outras questões.

De fato, o momento em que interrompemos a programação da Reitoria não foi o mais adequado. Aliás, não era essa a nossa intenção. Entretanto, foi o único caminho que encontramos para nos fazer ouvir, já que os membros da Administração negaram a nós o direito de falar no evento – uma atitude claramente autoritária, a exemplo de não terem convidado o DCE [entidade máxima dos estudantes da UFOPA] para compor a mesa de abertura da aula magna.

A Universidade é, por excelência, um espaço de produção de conhecimento e debate de idéias. Portanto, não podemos admitir essa ditadura do pensamento único, em que a única voz autorizada a se manifestar é a da Reitoria. Precisamos defender a plena liberdade de expressão e o amplo debate público de todas as questões pertinentes à UFOPA. O reitor não quer isso, mas nós lutaremos sempre para que todas as vozes sejam ouvidas na nossa Universidade. Nunca nos calarão!

Por outro lado, é importante ressaltar que a falta de diálogo da Reitoria com o movimento estudantil gera vários efeitos negativos para a vida de todos os estudantes. A ausência de uma política séria de assistência estudantil é uma prova disso. Nunca constou no Projeto oficial da UFOPA a construção de uma Casa do Estudante, para abrigar acadêmicos oriundos de outros municípios. Um Restaurante Universitário sequer é cogitado pelo Sr. Seixas Lourenço. A estrutura física da nossa Universidade – salas de aula, bibliotecas, laboratórios, etc. - deixa muito a desejar. Ademais, as inúmeras dúvidas sobre o funcionamento do CFI nunca são respondidas satisfatoriamente pela Administração (o caso do Índice de Desempenho Acadêmico – IDA é emblemático nesse sentido).

Por isso tudo, é extremamente importante que o corpo estudantil da UFOPA esteja sempre unido, de modo a reivindicar com eficácia suas demandas fundamentais. Não podemos nos render ao discurso maquiavélico de alguns setores que tentam colocar estudantes contra estudantes. Todos nós, ‘calouros’ e ‘veteranos’, fazemos parte de uma mesma categoria: os estudantes da UFOPA. Possuímos as mesmas demandas, sofremos dos mesmos problemas, temos sonhos e aspirações parecidos. E, o que é mais importante, todos nós almejamos uma Universidade pública de qualidade, que cumpra os desafios sociais que o povo da região espera; que contribua para o verdadeiro desenvolvimento da Amazônia, produzindo um conhecimento socialmente útil para a maioria da população.

Como dizia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, construir a Universidade que queremos!

*Coordenador geral da UES


Editorial
Dizem que o ano no Brasil só começa mesmo depois do carnaval. Pois bem. Passado o período de festas, o povo espera com grande ansiedade que os governos (municipal, estadual e federal), enfim, dêem início ao novo ciclo administrativo visando melhorar, em todos os aspectos, o funcionamento da máquina pública em favor do cidadão brasileiro. É o mínimo que se espera dos governantes e legisladores, que passaram os últimos meses tratando de seus interesses políticos e pessoais. Foi assim na eleição de 3 de outubro com a vitória de alguns candidatos ‘limpezas’ e na votação na Câmara Federal do aumento dos salários dos parlamentares, equiparados aos vencimentos dos ministros. Nas assembleias estaduais, os deputados também se deram esse agradinho. Estão todos, portanto, com os bolsos cheios.

A população assistiu a tudo passivamente, acreditando que, depois que eles, os políticos, resolvessem suas pendengas pudessem trabalhar pelas pessoas que os elegeram. A hora, portanto, é de cobrança e o cidadão precisar adotar uma postura mais radical no sentido de fazer valer seu voto e, de uma vez por todas, entender que o governador, deputado, senador e presidente da República são servidores do povo, trabalham para o povo e pelo povo. Seus salários são pagos pelo povo. É hora dessa gente bronzeada e omissa mostrar o seu valor.

Os maus políticos e os maus gestores só se perpetuam no poder graças à negligência da sociedade, que não participa mais diretamente nas decisões tomadas pelos governantes e, de alguma forma, contribui para que os atos falhos dessa corja passem despercebidos por todos. As mudanças só ocorrem de forma real quando a população aprende a cobrar e a fiscalizar os administradores públicos e, neste sentido, as pessoas comuns ainda não aprenderam a lição de casa, mesmo diante de tantos casos escandalosos que se tornaram público pela grande imprensa e que por si já bastariam para uma revolta popular. O que não é o nosso caso.

Nosso papel como cidadão é fiscalizar as ações governamentais e exigir que nossos legisladores, sobretudo vereadores e deputados, cumpram sua função e não sejam cúmplices de prefeitos e governadores bandidos. O povo deve exercitar o seu poder que só se emana em épocas de carnaval e jogos da seleção. Os tempos são outros.

Opinião: Amigo do poder e amigo das leis*

José de Souza Júnior*

Ao olharmos os noticiários não perceberemos muita diferença caso venhamos comparar com anos anteriores. Doravante, o cenário político internacional propõe cenas não tão acostumadas aos nossos olhos. Ditadores caindo. Menciono com certa relevância pelo fato de eles serem detidos do cargo por civis. É o povo que vão as ruas e praças e pedem que ele saia. Diferentemente de outros governos e senhores que preferem a guerra. Pedem a benção de deus e disparam mísseis em mulheres, crianças e trabalhadores. E por que tudo isso acontece no oriente e naquela região tudo agora?

A reposta pode ser a mesma em vários canais de televisão como pode ser heterogênica entre os analistas. Por conseguinte, o que venho dizer é o fato econômico. Não existe inimigo maior do que a economia para derrubar um governo e até mesmo um sistema político implantando em tal sociedade. A experiência de regimes autoritários nunca são bem vindas. Por outro lado, o regime democrático implantado pelos EUA é sempre complicado, e, sobretudo traumático. Sem contar que o Oriente é uma civilização de eternos conflitos. Nascer e morar aqui e querer falar sobre uma realidade tão distinta é uma audácia.

Porém, falar de nossa própria política é uma audácia. Posso querer resumir dizendo que somos latinos e por isso nada funciona ou que tudo esta errado. Temos uma democracia e políticos sagrados nas urnas pelo próprio povo brasileiro. Contudo, prestigiamos senhoras e senhores hilários quando põe a mão no poder. Como diria um professor: vendem até a mãe e o pior que entregam também. E assim vai funcionando. É preciso apenas chegar ao topo e organizar os seus desejos. Eu hoje, não duvidaria a capacidade de alguns senadores em mudar a soma de dois mais dois. Ou seja, para o nosso Congresso é possível dois mais dois dar cinco para eles e três para nós. Como podem fazer? Só sendo eleito senador para saber.

Depreendo o pensamento que mesmo após uma Revolução Francesa – onde não foi uma luta de um rei ou de um segmento religioso –, e o 11 de setembro – onde bastou estar reunidos em pequenos grupos mesmo para ocasionar um ataque –, a sociedade vai se mexer numa crise econômica. É uma crise econômica que elege-se um Obama. Para nós brasileiros não quer dizer que estamos perdidos. Afinal, por aqui uma crise econômica esta distante, principalmente agora que o salário mínimo passou para quinhentos e quarenta e cinco reais – prefiro a forma extensa, sempre representa maior que três dígitos. E por que coisas assim acontecem aqui? Simples: amigos do poder e logo amigos da lei.

*Graduado em Filosofia e pesquisador político
js_junior@yahoo.com.br


Uma bosta de treinador*
Prepotência, arrogância e incompetência. Essas foram as três e únicas principais virtudes mostradas pelo ex-técnico do São Raimundo, Sebastião Rocha, demitido no domingo passado logo após o jogo contra a Tuna Luso, pelo campeonato paraense de futebol, durante sua estada em Santarém.

O técnico carioca caiu em desgraça junto aos torcedores após protagonizar episódios lamentáveis e censuráveis durante o exercício de sua profissão. Parte dessa ojeriza criada pelo torcedor santareno deve-se à sua vasta ‘experiência’ como treinador, que culminou, de uma só vez, no retorno do time à última divisão do campeonato brasileiro e sua decadência no Parazão.

Rocha pode ser apontado como um dos principais culpados pelo fracasso da equipe em ambas as competições. Os demais responsáveis pelo declínio alvinegro são seus próprios dirigentes que apostaram na contratação de um profissional, que não mostrou respeito com o maior patrimônio do clube: sua torcida.

Desprovido de ética profissional, Sebastião Rocha ofendeu com palavras imorais e impublicáveis os profissionais da imprensa santarena, que assim como a torcida, sempre deu apoio e incentivo à equipe alvinegra, independente de sua posição no cenário esportivo paraense e brasileiro.

Sebastião Rocha foi infeliz, autoritário e antiético quando reuniu seus comandados e passou a eles o que pensava dos jornalistas, que diariamente fazem a cobertura do dia a dia da equipe. Também confidenciou aos seus pupilos o sentimento que nutria por determinados cartolas do clube, que para ele, não têm comando e nem ideias aproveitáveis. Tião, como também é conhecido o treinador, achava-se esperto demais, porém, não contava com o flagrante feito pela imprensa, a quem tanto odiava.

Aqui se faz aqui se paga!

O ex-treinador, graduado em educação física e pós-graduado em treinamento futebolístico, por onde passou sempre foi preterido pela diretoria dos clubes, que buscavam por treinadores mais gabaritados e acostumados a conquistar títulos.

Rocha era apenas um técnico tampão, desses que só servem para esquentar o banco de um treinador renomado, experiente e educado, que mesmo sofrendo críticas de comentaristas, cronistas esportivos e afins, sabe se posicionar diante de situações que possam colocar em xeque seu caráter e personalidade como profissional. Rocha fez exatamente o contrário e manchou seu ‘vasto’ currículo. 

Sebastião Carlos da Silva Rocha certamente não é muito lembrado pelos torcedores dos clubes por onde passou. Porém, pela torcida santarena, ele jamais será esquecido.

* Da Redação


Modelo acadêmico da Ufopa: Sucesso ou tragédia?
Por: Ib Sales Tapajós*
Ao término do dia de ontem (09 de fevereiro de 2011), um resultado desolador incomodava (e muito!) os dirigentes da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará: das 1.150 vagas ofertadas no primeiro processo seletivo da instituição*, apenas 25% delas foram preenchidas na habilitação - ato que precede a matrícula numa Universidade pública.

Esse resultado pífio contrasta com as manifestações ufanistas da Administração Superior da UFOPA quando da divulgação do total de inscritos para o processo seletivo 2011: 17.585 candidatos. Um número deveras elevado, que foi utilizado como argumento para defender o “sucesso” do modelo acadêmico “inovador” implementado unilateralmente pela gestão do reitor pró-tempore José Seixas Lourenço.

Veja-se nesse sentido o discurso do Prof. Rodrigo Ramalho, pró-reitor de ensino da UFOPA: “Estamos muito felizes com esse resultado. Superou todas as nossas expectativas, pois esperávamos por volta de 10 mil inscritos. Isso mostra que a Universidade já inicia tendo boa aceitação entre os estudantes, pois esses 17.585 inscreveram-se na UFOPA e não em um curso específico” (Jornal da UFOPA, Edição de Lançamento, dezembro de 2010, página 4).

Ocorre que o pequeno número de habilitados nos força a questionar o “sucesso” da estrutura acadêmica da Universidade. Tudo bem, serão realizadas outras chamadas para habilitação, na famosa “repescagem” (ainda não se sabe quantas). É possível inclusive que as 1.150 vagas sejam preenchidas. E espero que assim o seja. No entanto, no atual momento, é fundamental haver crítica e autocrítica sobre a forma como a UFOPA vem dando seus primeiros passos. Apesar de a Reitoria do Sr. Seixas não estar efetivamente aberta ao diálogo, um debate sério precisa ser travado na comunidade acadêmica e na sociedade do oeste do Pará: o atual modelo acadêmico é realmente o que queremos e precisamos?

Ao contrário do que afirma o pró-reitor de ensino, o número de inscritos no processo seletivo não guarda correspondência com a aceitação da estrutura acadêmica da UFOPA**. Prova disso é que muitos dos inscritos sequer entendiam como se dará na prática o funcionamento desse modelo. As dúvidas são constantes inclusive entre os calouros habilitados. Não foram raros os casos de estudantes recém-aprovados que indagavam pelos corredores o que teriam de fazer para chegar ao curso que desejavam.

E muitos dos que passaram a entender o funcionamento da estrutura acadêmica da UFOPA desistiram de ingressar na instituição. Isso porque compreenderam que teriam de passar por mais dois processos de disputa de vagas dentro da própria Universidade para poder chegar ao curso almejado.

Para ser mais claro: se o candidato X é aprovado na UFOPA e no mesmo período consegue bolsa integral numa instituição privada através do PROUNI, ele tenderá a optar por esta última, uma vez que, na UFOPA, a vaga no curso almejado não estaria garantida. O mesmo raciocínio é perfeitamente cabível para o estudante que obteve sucesso no processo seletivo da UFOPA e no de outra universidade, federal ou estadual.

E qual o motivo dessa “fuga”? Medo do “novo”? Com certeza não. A causa central é a competição dentro da Universidade. O estudante que deseja ingressar no ensino superior precisa de um grande período de preparação, tanto para os vestibulares quanto para o ENEM. Período que, via de regra, é desgastante, estressante e, para alguns, até traumático. O grande problema é que na UFOPA há um “vestibular” prolongado, que se dá na passagem do CFI para o instituto e na passagem deste para o curso de graduação. Nem todos estão dispostos a passar por isso novamente. Por isso a UFOPA é a última opção de boa parte dos vestibulandos.

Diante dessa realidade inquestionável, os dirigentes da nossa Universidade do Oeste insistem no discurso da “meritocracia”, afirmando que a competição é importante e saudável. Pode até ser, mas na lógica do mercado, e não na lógica de uma universidade pública federal. Nesta, o objetivo central é a produção e difusão de um conhecimento crítico e voltado para o atendimento das necessidades da população. Os acadêmicos têm de ser colegas, e não adversários; precisam caminhar juntos na construção do conhecimento, e não ficar disputando quem vai tirar a melhor nota – infelizmente é isto que vai ocorrer com o atual modelo acadêmico-curricular. A lógica “meritocrática” aplicada na Universidade terá, indubitavelmente, um efeito catastrófico.

Outro fator que contribuiu para a não-habilitação de muitos candidatos aprovados é a ausência de uma política séria de assistência estudantil. Muitos dos aprovados são de outras cidades do Pará e, para estudarem na UFOPA, precisariam de recursos que hoje não são disponibilizados pela Universidade. Não temos um Restaurante Universitário (RU) e nem uma moradia estudantil (Casa do Estudante). Dessa forma, o estudante proveniente de outro município, cuja família não possuir renda considerável para mantê-lo em Santarém, fica impossibilitado de desenvolver seus estudos na UFOPA.

Tivemos conhecimento do caso de alguns estudantes que, ao serem aprovados na UFOPA, vieram para Santarém acreditando que a Universidade lhes daria um suporte material mínimo. Após conhecerem a realidade, acabaram desistindo e voltando para suas cidades de origem. Essa situação é triste e deveria receber atenção especial dos dirigentes da Universidade. Entretanto, a atual concepção de expansão do ensino superior adotada pelo Governo Federal, e defendida pela Reitoria da UFOPA, privilegia a quantidade de vagas criadas, em detrimento da qualidade. Em outras palavras, a expansão acontece de qualquer jeito, sem se garantir a estrutura e os recursos necessários para as vagas ofertadas.

Diante de todo esse cenário, a conclusão a que se chega é que muita coisa precisa ser repensada na UFOPA. Em especial a estrutura acadêmica, que tem de ser debatida democraticamente com a comunidade acadêmica e com a sociedade em geral. O atual sistema autocrático de gestão da Universidade, em que o Reitor decide sobre tudo e sobre todos, dá sinais claros de falência e precisa urgentemente ser substituído por um sistema democrático e participativo, onde todos tenham voz e vez e possam contribuir na definição dos rumos da instituição.

Caso contrário, estaremos desperdiçando o enorme potencial da Universidade Federal do Oeste do Pará. E é muito fácil prever as conseqüências negativas disso, já que a UFOPA é o principal projeto de desenvolvimento social em execução na região nos últimos anos. Mas para que ela efetivamente cumpra seu papel protagonista na região, muita coisa precisa mudar. Eis o nosso grande desafio: (re) construir uma Universidade no interior da Amazônia.

*Ib Sales Tapajós é acadêmico de Direito da UFOPA, militante do coletivo estudantil Romper o Dia! e coordenador geral da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES).

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O novo e a tradição*

Longe de Minas e das boas tradições mineiras, a presidente Dilma Rousseff segue a rotina que revela o mais profundo ensinamento de seu estado natal: trabalhar em silêncio! Em seu primeiro mês de governo, constatamos a mudança de foco na gestão presidencial, passando da origem das greves barulhentas para o anonimato das ações e planos clandestinos. Na condução de seu país, cada presidente revela a sua origem, sua formação, desde a Velha República até os dias de hoje.

Em Dilma Rousseff duas escolas políticas se encontram. A boa convivência mineira e o determinismo sulista. Uma a temperança; outra, tempestuosa. É, verdadeiramente, uma boa fusão. Nos dois casos, encontramos o nacionalismo em Artur Bernardes e Getúlio Vargas. Identificamos traços em seu discurso dessa conduta política.

Gerente, com modos de exigente, muito se espera da presidente, sob o olhar atento de toda a nação, com a fria análise de uma visão feminina. É preciso arrumar a casa, colocar as contas em dia, programar as viagens, levar os meninos para as escolas, marcar o médico, cuidar do jardim, limpar o quintal, conferir a faxina, separar o lixo, economizar na conta de água, luz e telefone, chamar o bombeiro e cuidar do futuro do país. Ser uma grande mãe, depois de decaídos pais.

O povo brasileiro quer sempre abraçar, agradecer, festejar. A presidente não pode errar, pois pesa sobre ela o preconceito esquecido no congelador, depois de uma generosidade imensa, que precisa ser correspondida. Lula quebrou o ranço que se nutria contra os que não foram ungidos, contra os que emergiram nos duros processos democráticos. Dilma terá que consolidar isso, pois seu sucesso é a consagração de um processo inédito no Brasil republicano.

A soberania de um país é uma postura que vem de dentro para fora. Primeiro a soberania da gestão, dos cargos públicos, da política financeira, dos investimentos sociais, da relação entre os poderes, do determinismo político, da mentalidade de governo e da visão de um país e de mundo. Depois, a independência nas escolhas internas e externas, da autodeterminação encarnada.

Até bem pouco tempo, essa conduta era impensável para o Brasil, o que foi fruto de anos e anos de controle externo, espoliações e submissão. Iniciamos um processo austero, mais condizente com nossa grandeza frente ao mundo, construindo uma respeitosa relação com o resto do planeta. Isso tudo reflete em nossa economia, na credibilidade internacional, no credenciamento de uma nação que progride e se desenvolve e, principalmente, na valorização de seu povo.

Atentos e serenos, acompanhamos os primeiros dias de um novo governo. Nos bastidores, as velhas disputas não por cargos, mas sim por comissões, como um problema que precisa ser enfrentado e extinguido, dentro de uma antiga prática que conhecemos como fisiologismo. O Brasil não suporta mais isso. É preciso interromper esses processos viciosos, que fazem nosso país e nossa política menores e piores.

O novo não é apenas pelo começo. Só por isso, seria mais seguro a continuidade. Ele é mais por uma nova postura, um novo olhar, uma nova mentalidade. E é esse novo que se assenta sobre a imagem da primeira presidenta eleita do Brasil. É esse novo que mais de 190 milhões de almas brasileiras esperam.

*Petrônio Souza Gonçalves jornalista e escritor
www.petroniogoncalves.blogspot.com

Santarém em estado de alerta por causa das chuvas*

Definitivamente, o inverno Amazônico chegou à região e promete ser um dos mais rigorosos dos últimos anos. Nas duas últimas semanas, o volume de água que caiu sobre a cidade deixou ruas inteiras alagadas e causou transtornos e prejuízos à população. Neste período, os temporais incessantes são comuns. Basta chover por apenas uma hora para que toda estrutura precária das vias públicas fique exposta. E são tantas as falhas. Diante deste cenário uma pergunta se torna pertinente neste momento: onde esteve e o que fez o governo municipal nos períodos de seca intensa que também causou aflição à população? Nada. Absolutamente nada foi feito para melhorar a infraestrutura da cidade, que não suporta a quantidade de água pluvial que chega com toda força e destroi as já acabadas vias públicas de Santarém.

A falta de empenho da administração pública do município é um dos principais fatores pelo caos causado à sociedade em dias de chuva. Evidente que a estrutura da cidade não foi obra do atual governo, mas seria dever dele observar ano após ano, as principais carências neste setor e aplicar investimentos que trouxessem segurança à população. Isso não ocorre. E dificilmente ocorrerá, já que estamos falando de uma área cuja complexidade está além da capacidade administrativa dos atuais gestores. Não fosse assim, certamente, que neste período de fortes chuvas, os moradores não teriam suas residências invadidas pela lama e lixo, trazidas pelas enxurradas.

Há, por toda cidade, inúmeras áreas de risco, onde famílias se abrigam de maneira improvisada, sem segurança e sem nenhum tipo de assistência governamental. As tragédias causadas pelas chuvas ocorrem em maior escala em cidades onde os governantes ignoram necessidades dos moradores e evitam levar melhorias às comunidades mais carentes. Santarém corre o risco de sofrer uma tragédia de grandes proporções como ocorreu na região sudeste do país recentemente? Alguns especialistas dizem que não, outros, porém, afirmam que toda tragédia traz em sua proporção dor, sofrimento e impunidade, sendo este último, o principal fator pelas ocorrências que ceifam vidas inocentes. Pelos próximos dias ainda teremos muita chuva, mais enxurrada, muito lixo e lama.

*Da Redação

DESTAQUE:

Professores da Ufopa são agredidos por seguranças de bar

Um fato lamentável ocorreu na madrugada do último sábado (18), no interior do ‘Estação Bar’, localizado na avenida Mendonça Furtado,...

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