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Ex-presidente do IPMS ficou rico com dinheiro público



Marcos Santos

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) deve receber nos próximos dias, pedido de revisão das contas do Instituto de Previdência do Município de Santarém (IPMS) relativas aos anos de 2003 e 2004, durante a gestão do advogado José Maria Lima. O Ministério Público também deve receber pedido idêntico, pois ainda há muitos fatos obscuros no destino do dinheiro dos servidores públicos municipais que sumiu depois da extinção do Instituto de Previdência Municipal. Mais estranho ainda é o fato de seus gestores terem construído patrimônios suntuosos nos últimos anos no município.

Vários imóveis foram erguidos na cidade pelo advogado José Maria Lima em nome de terceiros. Os empreendimentos do advogado lhe rendem grandes somas em dinheiro todo mês: prédios com salas comerciais alugadas para consultórios médicos e escritórios de advocacias, além de mansões e casas que estão alugadas. O patrimônio é incalculável.

José Maria Lima já foi enquadrado em ação na Justiça Eleitoral, acusado de ter participado num esquema fraudulento que levou à anulação da eleição plebiscitária feita para decidir a autonomia política da vila de Mojui dos Campos para se transformar ou não em município. Contra o advogado pesa a desconfiança de ter enriquecido quando presidente do IPMS, onde entrou pobre e dizem ter saído rico, com um salário abaixo de R$ 3 mil e sem ter patrocinado uma causa na Justiça. Além dos imóveis na cidade, Lima é proprietário de uma invejável casa no balneário de Alter do Chão. José Maria Lima é ligado ao deputado "ficha suja" Lira Maia, a quem serviu como advogado em sua recente tentativa de voltar à Prefeitura. Não foi desta vez, o grupo político do ex-prefeito foi derrotado nas urnas numa votação histórica que garantiu a reeleição da prefeita Maria do Carmo.

Entenda o caso - A Prefeitura de Santarém cobra na Justiça de Lira Maia e José Maria Lima, o valor de R$ 43.980.847,32. O valor é referente ao dinheiro que sumiu 'misteriosamente' dos cofres do IMPS quando o órgão foi extinto. No processo, de autoria da Procuradoria Jurídica do Município, que tramita na 8ª Vara Cível da Comarca de Santarém, ex-presidente juntamente com o antigo chefe, Lira Maia, são apontados como únicos responsáveis pelo desaparecimento de mais de R$ 17 milhões dos cofres da previdência municipal. Em suas defesas, alegam que o di-nheiro foi depositado numa instituição bancária na capital paulista, que foi à falência. O valor cobrado pelo Município (R$ 43.980.847,32) está devidamente atualizado com juros e correção monetária.

Em 2005, descobriu-se que parte do dinheiro havia sido depositada em um banco da capital amazonense, num shopping de Manaus. Foram abertas duas em 2002, e em uma delas, o próprio José Maria Lima depositou R$ 1 milhão, afirmação confirmada pelo gerente do banco Waldemir Vasconcelos de Carvalho, gerente da Caixa naquela cidade e cunhado de João Clóvis Lisboa, ex-secretário de Finanças do governo de Lira Maia.
Há suspeitas ainda que o restante dos recursos do IPMS foi depositado em outras contas numa transação econômica para fazer render o dinheiro desviado dos cofres públicos.

Por conta dessas suspeitas, as contas de Lira Maia e José Maria Lima haviam sido bloqueadas por ordem judicial.

Lira Maia foi o mentor de vários esquemas de licitações que enriqueceram aliados, amigos, parentes e empresários inescrupulosos. Os rombos nos cofres públicos foram enormes e por conta deles o ex-prefeito responde a mais de 23 processos na Justiça e recentemente ganhou o título de segundo político mais corrupto do país, ficando atrás apenas do deputado Paulo Maluf.

Contra José Maria Lima há provas robustas que comprovam todas as denúncias de desvio dos recursos do IPMS durante sua gestão. Os advogados da Prefeitura aguardam a revisão das contas do ex-presidente do Instituto para ingressar com nova ação judicial.

Crédito da foto: Gazeta de Santarém

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