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Pistoleiro é condenado por morte de sindicalista


A Justiça condenou ontem o pistoleiro Valdemir Coelho de Oliveira, réu confesso do sindicalista Pedro Laurindo da Silva, morto em novembro de 2005, em Marabá. Passados oito anos da morte do sindicalista, o executor foi condenado a 16 anos e oito meses por homicídio qualificado e deve recorrer em liberdade.

A sentença foi anunciada pelo juiz Murilo Lemos Simão, titular da Vara de Violência Doméstica. Em julgamento realizado em Marabá, quatro dos sete jurados condenaram Valdemir pelo crime que na época gerou grande repercussão por envolver conflitos de terra. Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), o assassinato foi cometido por encomenda.

O réu negou que tivesse sido contratado por alguém para matar a vítima. Valdemir Coelho de Oliveira foi preso em flagrante e confessou ter matado a vítima com dois tiros na cabeça. Ele alegou que comprou 20 hectares de terra por R$ 500, mas Laurindo não teria entregado a propriedade e nem devolvido o dinheiro, motivando a execução.

“Foi ignorância da minha parte, covardia, matei, me arrependo e peço perdão”, afirmou o executor. “Estava cego de raiva porque ele não entregou o terreno e nem devolveu o dinheiro, por isso matei”, alegou. 

O nome do pecuarista Lázaro Barbosa foi citado como sendo um suposto mandante do crime, mas isso não se confirmou.


Na noite do crime, a vítima participava de um evento de defesa dos direitos humanos que acontecia no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Marabá. Laurindo estaria sofrendo ameaças de morte por conta da luta à frente da ocupação da fazenda Cabo de Aço, localizada na zona rural do município, na época ocupada por cerca de 150 famílias.

A defesa não negou a autoria do crime, mas tentou convencer o Tribunal do Júri de que Valdemir estava arrependido. O executor pediu perdão à família da vítima e disse que era um homem convertido na fé. Os advogados fizeram uso de evangelhos da Bíblia para argumentar com os jurados.

A acusação destacou que “sancionar uma conduta criminosa é rasgar todos os códigos penais”. Para a acusação, a confissão do acusado foi uma estratégia para amenizar a pena. A tática da defesa não funcionou e os advogados Arnaldo Ramos de Barros Júnior, Joziane Bogaz Collinetti e Ricardo Moura anteciparam que vão recorrer da decisão.

O acusado, mesmo condenado, deve aguardar recurso em liberdade. A mulher da vítima, Katicilene Pereira dos Santos, estava grávida de seis meses quando o marido foi assassinado.

(Diário do Pará)

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