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Mostrando postagens com o rótulo lendas amazônicas

Lendas Amazônicas: A vingança do Tincuã

Por: David Marinho Na vasta região amazônica, existem muitas lendas e mitos, herdados das tradições indígenas e costumes introduzidos pelos colonizadores portugueses quando por aqui aportaram e conviveram com as populações nativas que resultaram no povo amazônida, caracterizado pelos caboclos e caboclas cheios de superstições, respeito e até mesmo, medo dos segredos da natureza ainda inexplicáveis. E uma das várias lendas caboclas respeitadas por aqui, trata-se de um pássaro exclusivamente da região amazônica semelhante a um jacu, de cauda alongada e de cor num tom de marrom escuro, conhecido como “tincuã”, tido como ave encantada do espírito de um índio justiceiro, e agourenta que prevê desgraças além de ser muito vingativa, contra aqueles que os maltratam e destroem a natureza.  Conta-se que em uma comunidade do interior de Óbidos na estrada que liga à Oriximiná, certo dia um caboclo desejoso de caçar um animal silvestre, muito farto naquela região, saiu da clareira de seu roçado

Mistérios da Amazônia: “A hipnose dos redemoinhos”

Por: David Marinho* Um acontecimento de suicídio nas águas, ocorrido próximo à cidade de Óbidos no Pará, faz referência à magia e ao enigma dos grandes e misteriosos rios da Amazônia. Este fato aconteceu há alguns anos atrás e foi noticiado por jornais da região, quando pessoas testemunharam um passageiro que viajava sem acompanhante em um barco que fazia linha fluvial interestadual entre Belém e Manaus, quando o mesmo olhava insistentemente e absorto em seus secretos pensamentos, como que num transe sonolento, hipnotizou-se, se sentindo seduzido pelos movimentos frenéticos dos gigantescos redemoinhos mágicos que pareciam verdadeiras “gargantas famintas” do rio Amazonas querendo devorar seus admiradores incautos e que pareciam seguir lado a lado ao barco. Leia também do autor: Lendas Urbanas: “O lobisomem mocorongo” Folclore, lendas e tradições regionais Crônicas da vida real: “O monstro do lago Maicá” Não sabemos se na sua solidão interior, remoia em seu íntimo alguma desilusão,

Mistérios da Amazônia: “Os espíritos dos cemitérios indígenas”

Por: David Marinho* Um geólogo, meu professor, que trabalhou para a empresa estatal CPRM, narrou certa vez em sala de aula, que em uma excursão de pesquisas minerais com sua equipe, viajavam de “voadeira” subindo o rio Nhamundá, afluente do rio Amazonas, quando foram surpreendidos pela noite que caiu repentinamente como um manto escuro sobre aquela região. Sem condições de prosseguir viagem num rio cheio de corredeiras e perigoso, acamparam numa bonita ponta de praia que encontraram, onde resolveram armar suas barracas de campanha e ali pernoitaram. Leia também do autor: Mistérios da Amazônia: “Os segredos da floresta” Lendas Urbanas: “O lobisomem mocorongo” Folclore, lendas e tradições regionais Crônicas da vida real: “O monstro do lago Maicá” Narrando sua experiência nessa viagem, contou que foi sua pior noite já vivida ao longo de seu trabalho naquela região, pois quando a escuridão caiu definitivamente, só se ouvia ruídos de miados e esturros assustadores de animais de h

Mistérios da Amazônia: “Os segredos da floresta”

Por: David Marinho* Em mais um caso verídico, o chefe de uma equipe de topógrafos, que trabalhou num trecho nas cabeceiras do rio Trombetas, acima da cidade de Oriximiná, contou certo dia que, quando fazia um levantamento de uma área para exploração de minérios; em um dia normal de trabalho embrenharam-se na mata como de costume com sua equipe por uma trilha já explorada e conhecida, quando perceberam que tinham esquecido uma ferramenta de escavação que iriam precisar, mandaram então um ajudante novato recém chegado de Belém, voltar ao acampamento que ainda estava próximo, para buscá-la em uma trilha boa de andar, enquanto o resto da equipe parou naquele local para esperá-lo.  Mas o ajudante não retornou, e devido à demora, o topógrafo mandou alguém ao acampamento verificar o que tinha ocorrido, mas o cozinheiro falou que o tal ajudante nunca chegou à base. Para esse rapaz, por ironia do destino era o seu primeiro dia de trabalho e também o último. Ele era filho de um grande amigo

Mistérios da Amazônia: “A mandinga dos botos”

Por: David Marinho* Na imensidão e nas profundezas do universo líquido dos rios da Amazônia, a força e o enigma da natureza são determinantes sobre as pessoas e seus elementos, e coisas inexplicáveis acontecem com certa freqüência nessa região. Certa vez, viajando de retorno para Porto Trombetas, onde trabalhava, no início de uma noite de Domingo quando “matava” o tempo observando às margens do rio com barrancos e sua vegetação característica que já perdia seu colorido pelo domínio da noite - presenciei algo anormal; quando um colega de trabalho que viajava conosco e jogava uma partida de baralho numa rodada de amigos.  De repente como que enfeitiçado pelas forças do sobrenatural, levantou-se da mesa como que possuído, tirou sua camisa e gritou para seus colegas de jogo: - Olha os botos ali gente! Vamos dar um mergulho com eles!?  Leia também do autor: Lendas Urbanas: “O lobisomem mocorongo” Folclore, lendas e tradições regionais Crônicas da vida real: “O monstro do lago Maic

Crônicas da vida real: “As caduquices de vovô Lampião”

Por: David Marinho Lembro-me do meu avô com saudades, do alto de seus 84 anos, um olho cego pela maldita catarata e “ex-soldado da borracha” com muito orgulho, piauense de nascimento e que era chamado carinhosamente pela vizinhança de “vovô Lampião”, pelo fato de ser enérgico e não tirar seu punhal, cabo de “cobra coral” da cintura, além de contar muitas estórias de Virgulino Ferreira da Silva, o verdadeiro Lampião.  Vivia com seu velho cachimbo no canto da boca. Tive então o privilégio de curtir um avô que se enquadrava em seu real estado de senilidade e em todos os requisitos de que um ancião tem direito ao chegar no crepúsculo de sua vida, ou seja; cabelos brancos, pouca visão, diabetes, reumatismo, surdez, rabugisse, etc., e claro, a caduquice que é o fechamento de nosso ciclo de vida quando nos transformamos em criança pela segunda vez... Mas este texto é para narrar alguns lances que eu e meus irmãos passamos nas mãos desse saudoso velhinho quando acentuou seu estado de ca

Lendas Urbanas: “O lobisomem mocorongo”

Por: David Marinho* O jovem Antonio, mais conhecido como “Tonico da Zefa”, era um garoto esperto, tinha quinze anos, e gostava de trabalhar para ajudar sua mãe que era viúva, Dona Zefa, nome que gerou um complemento ao seu, o qual tinha um sobrinho de cinco anos que morava com eles. Como eram pobres, passavam dificuldades como qualquer família de seu bairro, surgido de uma invasão na periferia da cidade de Santarém. “Tonico da Zefa”, saía todas as manhãs para procurar serviços pela rua como; limpar quintais, lavar carros e outros. Mas por morar longe de onde trabalhava, dava sempre um jeito de se alimentar pelo centro da cidade. Porém, quando não tinha dinheiro, ou até mesmo para economizar parte do pouco que ganhava, no horário do almoço, costumava se alimentar de frutas dos cemitérios da cidade, como; mangas, mamões, goiabas e azeitonas, depois descansava deitando-se sobre os túmulos sombreados pelas árvores do “campo santo”. Leia também: Folclore, lendas e tradições regionais C

Crônicas da vida real: “O monstro do lago Maicá”

Por: David Marinho* Um episódio dantesco e trágico aconteceu em passado longínquo no paradisíaco e emblemático Lago do Maicá. Esse triste fato envolveu uma humilde família de pescadores e agricultores que morava a margem desse grande e enigmático lago a leste da cidade de Santarém, um verdadeiro paraíso com grande fartura de uma fauna riquíssima em espécies animais e uma flora exuberante e vicejante formando-se assim um bioma rico em biodiversidade surgida da generosidade da mãe-natureza, planejada pelo Grande Arquiteto do Universo seu Criador... Essa família era formada por quatro pessoas, sendo o pai o senhor Raimundo, um humilde pescador, que era conhecido pelos comunitários da região como “Dico Sarapó”, e sua esposa, a senhora Filomena, que atendia também pela forma carinhosa reduzida de seu nome de “Filó”, o restante dessa família se compunha de duas filhas, a mais velha com dezoito anos de nome Izaurina e a caçula com seis aninhos com o nome de Izabel, que nasc

Opinião: “Folclore, lendas e tradições regionais”

Por: David Marinho* O Brasil é rico em seu folclore, incluindo mitos, lendas e tradições regionais oriundas das culturas afro-descendentes trazidas com os escravos e portuguesas de além mar, dos povos indígenas e das raças surgidas da miscigenação étnicas somadas aos medos e superstições da interação dos povos com os mistérios e o sobrenatural da floresta e dos rios desse nosso grandioso Brasil. Baseados nesse rico acervo de tradições dos povos em suas respectivas regiões, surgiram os festivais culturais como as festas populares principalmente no Nordeste e Norte do Brasil. Falando especificamente da região Amazônica com os festivais de Parintins com os bois bumbás Garantido e Caprichoso; de Juruti com as tribos indígenas Munduruku e Muirapinima, Santarém (Alter do Chão) com os botos Tucuxi e Cor-de-rosa e outros... Proponho então neste texto, para que os municípios de Óbidos e Alenquer, cidades ribeirinhas com suas importâncias históricas na colonização da Amazônia, explorem tam